sábado, julho 2, 2022
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Os passos da invasão à casa do vereador Jânio Gonçalves na segunda-feira

por: Redação

Três homens aparentando ter entre 28 e 30 anos, monitorados por outras pessoas, planejaram e colocaram em prática o assalto na manhã de segunda

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O assalto à casa do vereador Jânio Gonçalves na manhã de segunda-feira, 5/9, foi um crime premeditado, bem planejado e que contou com a participação direta de três homens com idades aproximadas de 28 a 30 anos. Eles agiram com acompanhamento de um número de pessoas que a polícia ainda desconhece, mas que monitoraram suas ações de fora da residência do político.

O Barueri na Rede ouviu parentes, vizinhos e policiais para reconstituir a cena do crime e esclarecer pontos obscuros. Descobriu, por exemplo, que o casal não ficou amarrado o tempo todo e que os bandidos não aplicaram nenhuma injeção no vereador, mas usaram uma seringa e uma ampola para ameaçá-lo. Também comprovou que ele foi seguidamente agredido e levou coronhadas na nuca, fato confirmado pelos exames médicos.

A ação dos bandidos começou por volta de 6 horas da manhã de segunda-feira. Como de costume, depois de deixar um dos filhos dela na escola, o casal, acompanhado do caçula, de quatro anos de idade, voltou para casa. O portão de madeira automático foi acionado para que o carro da família fosse guardado. Uma vez desligado o motor, Luciana, 33 anos, esposa do vereador de 61 anos, foi a primeira a descer do veículo e imediatamente percebeu que um homem invadia a garagem.

Armado, ele impediu uma eventual reação dela. “Cala a boca”, ordenou. No mesmo instante, outro homem se arrastava por baixo do portão, antes que a chapa de madeira descesse completamente. Foi esse segundo invasor, um homem magro, que começou a agredir Jânio com socos enquanto o retirava do carro, onde o filho de Luciana ainda estava. Um terceiro bandido, que mancava de uma perna, teve a entrada liberada por um dos comparsas, que pegou de Luciana o controle do portão da garagem. Atendendo ao pedido da mãe, um dos assaltantes permitiu que ela retirasse o menino de dentro do carro. Nesse momento, o casal e a criança estavam trancados na própria casa com três estranhos pois, fechado o portão, da rua não é possível perceber nada do que acontece na casa.

Dentro da residência

janioxOs dois últimos invasores – o que se arrastou por baixo do portão e foi responsável pelas primeiras agressões ao vereador e o que mancava –, que se mostraram bastante tensos e agressivos, revelaram logo o que queriam. “Sabemos que tem dinheiro na casa. Sabemos que tem 2 milhões de reais aqui”, diziam, enquanto mantinham Jânio sob agressões e o levavam para a parte superior do sobrado. Durante toda a ação, Jânio era constantemente agredido com socos, muitos deles no peito.

O trio também deixou claro que sabia quem era a vítima. “Você é vereador desde 1998, é o mais bem votado, como não tem dinheiro?”, diziam, enquanto Jânio negava ter aquele valor, o que aumentou a intensidade das agressões. Um dos agressores empurrava Jânio à frente golpeando-o com o cabo do revólver. Algumas dessas coronhadas atingiram a nuca do vereador, e esses ferimentos foram percebidos pelos médicos posteriormente. 

Sob ameaça, socos e empurrões, Jânio contou que tinha em casa apenas ‘uns trocados’, enquanto os ladrões reviravam o andar de cima do imóvel – um deles chegou a pedir uma lanterna para Luciana com intenção de revistar o sótão da casa. Como ela disse que não tinha o objeto, eles desistiram da ideia.

Na parte térrea da casa

Luciana e o filho, na parte de baixo da própria residência, eram mantidos sentados no sofá da sala pelo terceiro invasor – que se manteve calmo durante todo o tempo em que a família foi mantida refém. Magro, também de estatura mediana, ele mantinha mãe e filho sob a mira da arma. Sem saber o que se passava no andar de cima da casa, Luciana ficou ali, sentada com o filho, por cerca de uma hora.

Depois de revistar todo o piso superior, os dois ladrões desceram com Jânio carregando nas mãos uma bolsa da família. Dentro dela colocaram tudo o que conseguiram encontrar enquanto ameaçavam o vereador: o par de alianças do casal, um anel feminino, um computador portátil, dois celulares, um vídeo-game, dois relógios de pulso, um par de óculos de sol e cerca de R$ 600.

Quando desciam, os celulares dos invasores tocaram. Ao atender, cada um deles respondia que a quantia procurada ainda não tinha sido encontrada. Mas eles ainda não haviam desistido do que foram buscar. Chegaram a revirar a terra do jardim. Como não conseguiam achar o dinheiro, começaram a ameaçar o vereador de morte. Agitados, questionaram Luciana da possibilidade de alguém chegar na casa naquele momento. A única presença possível era a de um assessor do vereador que diariamente vai busca-lo em casa.

Os três homens ainda tinham o valor inicial em mente, e depois de considerarem ir ao sítio da família fazer uma busca, iniciaram novas ameaças à vida de Jânio. Com uma seringa e uma ampola, afirmaram que iriam injetar o produto nele se não entregasse a quantia que queriam – recurso que a polícia acredita ter sido usado para ameaçar a vítima e intimidar a esposa.

Ainda sob a ameaça da misteriosa injeção, Jânio foi levado à cozinha e, após ser obrigado a deitar no chão, virado de rosto para baixo, teve as mãos amarradas às costas, e as pernas e pés atados para imobiliza-lo. Na sala, com o filho, ainda sob a mira de uma arma, Luciana também teve as mãos e pés amarrados com uma fita. Antes de ir embora, um dos invasores deu a ordem: “Quando a gente sair, desamarra seus pais, garoto”, dirigindo-se à criança.

Ainda presos em casa

Sem os ladrões dentro da residência, Luciana pediu que o filho fosse à cozinha, onde o vereador tinha sido deixado, e trouxesse uma faca e a colocasse em suas mãos. Ela então se soltou e  foi à procura do marido e o encontrou ainda deitado. Em seguida, desamarrou-o. “O primeiro nome que estava na memória do telefone era o do Levi, e eu liguei pra ele”, conta ela. Foi assim que o filho do vereador foi informado da invasão. Socorrido por Levi e Luciana, Jânio foi levado para o Sameb. Dali, foi transferido para o Hospital Municipal de Barueri, onde se recupera sob a supervisão de uma equipe multidisciplinar de médicos. Seu estado ainda inspira cuidados, mas é estável. 

Assaltos a vereadores

Ataques a residências de vereadores não são raros em Barueri. Em 2012, a residência de Jô foi saqueada por ladrões enquanto ele acompanhava o casamento da filha. Os invasores conheciam sua rotina e puderam agir tranquilamente sabendo que o dono da casa não voltaria tão cedo. Em 2013, foi a vez de Kaskata e a família serem abordados por assaltantes quando chegavam em casa de um passeio. Chico Vilela também foi mantido refém em sua residência por bandidos, cerca de quatro anos atrás, enquanto furtavam equipamentos, objetos e dinheiro. O presidente da câmara, Carlinhos do Açougue, e Zetti Bombeirinho, também foram vítimas de ladrões.  

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