segunda-feira, maio 27, 2024
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Como é dura a vida dos sonolentos vereadores obrigados a ouvir a leitura dos projetos de lei

por: Redação

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Está cada vez mais difícil a vida dos pobres edis que têm de prestar atenção nas propostas do Executivo que, afinal, vão ser todas aprovados mesmo

Uma sessão insonsa e insípida

Pois é, amados leitores, para quem estava aguardando como eu por uma sessão cheia de alvíssaras no portentoso Parlamento 26 de Março, acabou se frustrando, pois a modorra foi total, ou seja, o palácio recém-reformado dos representantes do povo barueriense ficou mais assemelhado a um “tugúrio” bem chinfrim. Na verdade foi um dia de atividades, digamos assim, insípidas, aguadas, sensabor, desenxabidas, sem graça, insulsas, dessaborosas, enxabidas. Hi, hi, hi!

Nem mesmo os edílicos pareciam aguentar

Na verdade, na última gloriosa sessão, o que pude observar foi que os nossos representantes por “conhecerem profundamente”, ou desconhecerem o teor dos projetos de leis, extremamente técnicos, que foram enviados pelo Executivo para serem apreciados e votados, sequer se davam ao trabalho de ocupar as suas confortáveis poltronas no plenário, deixando-as às moscas enquanto as leituras eram feitas ora por um ora por outro que ocupava a secretaria. Hummmmmmmmmmmm.

Entram mudos e saem calados

É muito interessante e ao mesmo tempo bastante preocupante observar que muitos projetos de leis, indicações das mais variadas e outras tantas proposituras de fundamentais importância, são aprovadas sem que haja maiores discussões. Aliás, parece que para alguns vereadores o ditado “em boca calada não entra mosca”, vem a calhar, pois a expressão, que significa que em certas ocasiões é mais prudente manter o silêncio para evitar consequências desagradáveis, é frequentemente utilizada ali. Creio que ninguém, nem mesmo os políticos, gostem de discursos, especialmente aqueles chatos, cansativos, que se resumem a falar de números e outros aspectos técnicos. (Risos discretos)

Será que a história das rabeiras vai ter um fim?

Mas como nem tudo está perdido, os nobres de plantão vão apreciar e votar o projeto de lei enviado pelo prefeito Rubens Furlan, que tem como finalidade coibir a farra de moleques, marmanjos e afins que tem o hábito de pegarem rabeiras em ônibus e outros veículos automotores que circulam pela cidade. A lei que fatalmente será aprovada prevê, dentre outras coisas, multas e apreensões de bicicletas, skates, patins ou qualquer outro tipo de geringonça que os maus elementos venham a se utilizar para a prática. Faltou apenas acrescentar umas belas borrachadas no lombo. (O grifo é nosso.) Resta saber se isso será o suficiente para acabar com a bandalheira, com a “sem-vergonhice” tão em voga!

Aí, o vereador me saiu com essa

Minha nossa, quando a gente pensa que já viu de tudo nessa vida, não é que surgem propostas e indicações das mais esdrúxulas, totalmente estrambólicas, senão vejamos. O memorioso vereador Rafa Carvalho quer instituir na laboriosa Barueri, também conhecida como a “Flor Vermelha que Encanta”, nada mais nada menos que o “Dia Municipal do Casamento Comunitário”. A indicação deverá ser votada, e provavelmente será aprovada por seus pares, para a alegria geral dos eleitores. E eu aviso que quem deu risadinhas vai arder eternamente no caldeirão do capeta.

O nobre edil incorporou o Cupido

Diante dessa perspectiva, eu acho que o ilustre representante do povo incorporou o Cupido, o deus do amor que, segundo as lendas, era filho da deusa Vênus, e que munido de seu arco, buscava alvos para suas flechas. Aí, sim, isso que é se preocupar com as necessidades do povo. Confesso a vocês, abnegados e fiéis leitores, que já ouvi falar em vários tipos de incorporações, mas “caboclo Cupido” foi a primeira vez. Quá, quá, quá, quá, quá!

Mas eu acho que ele viu as estatísticas

O casamento vem diminuindo no Brasil. Será que o amor acabou? Em 2020, a queda foi maior desde que os registros começaram a ser catalogados. Segundo uma pesquisa, foram registrados cerca 1,02 milhão de casamentos no Brasil em 2019, cerca de 28,8 mil a menos que em 2018, o que representa uma queda de 2,7%. O IBGE destacou que esta foi a quarta vez seguida em que caiu o número de casamentos no país. Mas o recuo foi menos intenso que no ano anterior. Portanto, o emérito representante do povo travestido num misto de Santo Antonio incorporado no Cupido, surge impávido colosso para resolver a situação.

Evidentemente nesse mundo nada se cria…

Agora, se vocês, meus amados leitores, estão pensando que o edílico barueriense descobriu a pólvora, estão redondamente enganados, pois essa mesma pérola parlamentar já foi votada e aprovada em diversas cidades por esse rincão varonil. Cidades como Ubatuba, Tupã, Itajubá, Valinhos e tantas outras, basicamente com os mesmos discursos de “estruturar os casais, fortalecendo os laços de união e responsabilidades, principalmente para aqueles que já possuem filhos, proteger as famílias, que é cidadania, etcétera coisa e tal.” Hummmmmm!

Uma pequena reflexão sobre atitudes paternalistas

Isso, no entender desse velho escriba, não passa de paternalismo descarado. Conhece-se como paternalismo o desenvolvimento de comportamentos que são típicos de um pai tradicional, mas aplicados a outro tipo de vínculo. Em suma, o paternalismo acaba por limitar os direitos que uma pessoa possui, que acabam resultando na retirada de autonomia das pessoas que esse indivíduo lidera. Aquilo que o paternalismo político supõe, definitivamente, é a crença por parte do governante de que o povo é incapaz em diversas questões; por isso, o Estado toma decisões em seu nome. Assim, o político então se aproveita dessa situação para conseguir se eleger e se locupletar. Enfim, use a carapuça quem quiser, certo?

Mas para quem pensa que acabou

Os festivais de indicações esquisitas seguem a todo vapor e na Câmara Municipal da vizinha cidade de Carapicuíba, o não menos nobre vereador Ednaldo Souza Silva, Professor Maldo, do Partido dos Trabalhadores, apresentou uma propositura na última sessão legislativa, para que no dia 4 de novembro de cada ano seja comemorado o “Dia da Favela”, e que a data seja incluída no calendário oficial da cidade.

E mais uma vez nada se cria, tudo se copia

Na verdade, essa indicação do despojado vereador não passa de um “control C e um control V” de uma lei já existente no Rio de Janeiro. A data, muito conhecida no estado do Rio de Janeiro, que segundo o IBGE (2019), é o 5º estado brasileiro com o maior número de aglomerados subnormais, é usada para lembrar, celebrar e alertar sobre a luta que os moradores dessas regiões enfrentam. Em 2006, Celso Athayde teve a ideia de criar o Dia da Favela, festejado no dia 4 de novembro no Rio de Janeiro, e que foi oficializado pela Lei municipal 4.383 de 28 de junho de 2006.

O professor Naldo também se justificou

Nas suas considerações, o vereador Professor Naldo procurou justificar a sua propositura afirmando que na gloriosa cidade de Carapicuíba existem mais de 100 favelas e que pelo menos 70% por cento da população local residem nos tais aglomerados tão carentes. Outrossim, ele também fez questão de deixar claro que a data escolhida não é para comemorar e sim para despertar uma conscientização, pois quem mora nesses locais são seres humanos que carecem de políticas públicas.

Explicando ou não, o professor foi detonado

Não obstante as suas explicações, as quais eu até acho ponderáveis, o despojado vereador petista foi bombardeado por seu colega também vereador Dr. João Naves, do PSDB, que afirmou com todas as letras que o dia da favela é um absurdo. “Isso não existe”, vituperou venenosamente o parlamentar, ao mesmo tempo em que aproveitou para descer a ripa no Lula, no Bolsa Família, na política de cotas, afirmando que educação é o que resolve. (Risos discretos)

Mais um nobre Carapicuíba brabo

Um outro vereador que assumiu a tribuna num rompante de brabeza foi o nobiliárquico Antônio Beserra, que pertence às hostes do Partido Liberal. Ele estava mordido pelo fato de ter sido interpelado por um eleitor que o teria questionado pelo fato de ter pedido vistas em um projeto do prefeito Marcos Neves, de quem ele garante ser um fiel aliado. “Não me tire de trouxa, pois eu não estaria aqui se fosse. O mandato é meu, ele vai ter que me engolir… o cara falou um monte de merda, eu não devo “sastifação” a essa pessoa…” Vixe Maria!

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