terça-feira, abril 16, 2024
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Estudantes de artes da cidade levantam o público com musical de Chico Buarque

por: Redação

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Jovens atores, atrizes, dançarinos e músicos dos núcleos da Secretaria da Cultura deram vida a adaptação de “A Ópera do Malandro”

Musical trata das mazelas do Brasil vivas até hoje (Crédito das imagens: Fernando Coelho – Instagram @Lf.coelho)

O teatro da Praça das Artes viveu na noite de sábado, 16/9, o momento mais significativo de seu primeiro ano. Exatamente às 19h27, centenas de pessoas aplaudiam de pé o apoteótico  encerramento do musical “A Valsa do Malandro”, encenado por professores e alunos dos núcleos culturais do município.

Fechava-se naquele momento, em grande estilo, um árduo e minucioso trabalho de quatro meses que uniu teatro, dança, circo, figurino, cenários e música no mesmo palco. A gente nem acredita que são estudantes”, dizia na saída a atriz profissional Mayara Freitas, que foi parar na plateia meio que por acaso, convidada por amigos que moram em Barueri.

Heitor foi o malandro Max Overseas

A “Valsa do Malandro” é uma adaptação de um clássico do teatro musical brasileiro,” A Ópera do Malandro”, de Chico Buarque. Lançada em 1978, em meio à ditadura, cercada pela censura, a peça é uma crítica a problemas brasileiros ainda presentes na vida do país, como corrupção, violência, homofobia, exploração da mulher e, claro, malandragens de todo o tipo, do freguês do botequim aos investidores estrangeiros.

A inspiração da montagem em Barueri nasceu de uma conversa de Zédú Neves, diretor do teatro da Praça das Artes e com uma longa carreira no meio, com o secretário de Cultura do Município, Jean Gaspar. O passo seguinte foi convocar Mônica Granndo, coordenadora do núcleo de teatro, para começar a empreitada. “Era um grande desafio, que envolveria todos os núcleos, mas todos se sentiram motivados desde o início”, conta ela.

Rebecca fez Vitória, a sogra

Outro a ser desafiado foi o professor de música, Ítalo Queiroz, que precisaria montar uma pequena orquestra que teria que parecer grande e fazer a trilha sonora do musical ao vivo, no palco. “Deu trabalho, mas foi prazeroso”, conta ele. “Além da riqueza do repertório do Chico, cada música tinha muita importância na compreensão da trama.” Além disso, houve a necessidade de fazer um trabalho especial de canto. “O elenco, mesmo os mais experientes, não tinha a prática de cantar, então foi preciso um cuidado especial”, lembra ele.

E para arrematar, havia a escalação do elenco. Chegou-se a pensar em trazer atores e atrizes experimentados, mas prevaleceu a proposta de apostar nos jovens estudantes no núcleo de teatro da secretaria, todos de Barueri ou da região. O núcleo foi retomado em 2021, após o pico da pandemia de covid. Uma primeira turma começou em março de 2022 e outra este ano. Atualmente, tem 118 alunos.

André brilhou como Geni

Então, o papel principal, do malandro Max Overseas, ficou com Heitor Souza, 23 anos, morador da Vila Boa Vista, que nunca havia se apresentado em público. Vitória, a sogra do malandro, ficou com Rebecca Leitão, também de 23 anos, de Carapicuíba. O homossexual Genival, que se transforma na Geni num final dramático, foi interpretado por André Bertunes, de 26 anos, do Parque Viana.

As bailarinas, que foram um espetáculo à parte, eram todas do núcleo de dança, que tem se destacado em atuações pelo país. Uma delas, Nicole Camargo, de 19 anos, que estuda desde os 12, mora no Jardim Paulista.

Grupo de dançarinas do núcleo de dança se apresentou do jazz ao balé clássico

Como conta Mônica, a sincronia apareceu logo no começo. “Todos se envolveram por inteiro, sempre se apoiando mutuamente”, lembra ela. “E desde o início eles estudaram muito, pesquisaram, discutiram.”. Um exemplo é Rebecca, que estudou por dois anos na escola de teatro Macunaíma, uma das mais importantes e tradicionais do país.. “Eu conhecia a música do Chico, claro, mas não sua dramaturgia, então me dediquei a conhecê-la.”

A experiência com a ópera serviu como estímulo a todos para seguir no caminho do palco. “Decidi que pretendo fazer do teatro a minha vida”, diz Heitor. “Eu já sabia que minha opção era a arte e a cultura e esse trabalho me deu ainda mais certeza”, afirma André, que também passou pelo Macunaíma, há um ano. “Eu sempre me concentrei na dança, mas com a ópera me apaixonei pelo teatro e agora pretendo me dedicar aos dois”, conta Nicole.

Quem não viu terá outra oportunidade de assistir a “Valsa do Malandro” na Praça das Artes. O musical deve ser reencenado no fim de outubro para marcar o aniversário de primeiro ano do centro cultural. Ao mesmo tempo, a Secretaria de Cultura negocia apresentações em cidades do estado. 

Enquanto isso, a equipe do secretário Jean Gaspar já começa a trabalhar na escolha dos próximos espetáculos.

Núcleo de teatro da secretaria foi retomado após a pandemia e hoje tem 118 alunos
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