terça-feira, abril 16, 2024
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Após a maternidade, rainha do karatê tenta o bi mundial

por: Redação

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Quatro meses após dar à luz, Djefini Carvalho, conhecida no karatê como “A Rainha”, se prepara para retornar aos tatames

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Em 2013, durante a copa do mundo na Lituânia, a barueriense luta contra adversária da Romênia/Fotos: Arquivo pessoal

Uma postagem no facebook dizia: “estou voltando depois da gestação e o próximo rumo é o mundial”. A página era de Djefini Carvalho, 28 anos, barueriense, fisioterapeuta e atleta de karatê de contato Shinkyokushin. Para contar sua história, ela escolhe a academia do pai, na rua da Prata.

Inicialmente entre tímida e desconfiada, a atleta carrega um bebê conforto com uma passageira mais que especial, a filha de quatro meses, e aparentemente tensa, sobe as escadas da academia e diz: lá em cima é melhor para conversamos.

Djefini ainda parece pouco à vontade, mas basta vestir seu quimono e ela está pronta, está em sua ‘zona de conforto’: ao lado do tatame, local que lhe é familiar desde que nasceu e onde conquistou o título de octacampeã sul-americana de karatê de contato Shinkyokushin – o primeiro, aos 15 anos de idade. Ela conta que todas essas conquistas foram consecutivas – feito inédito até o momento.

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Mundial de 1998, EUA: ela e a irmã, as únicas meninas na categoria

Ela cresceu tendo o esporte muito presente na sua vida. “Meu pai é professor e minha mãe também, e vendo-os darem aula, veio a minha vontade de fazer karatê.” Essa decisão foi tomada por Djefini ainda criança, aos sete anos de idade. Mas antes, tentou o balé, mas a sapatilha deu lugar ao quimono e ela se apaixonou mesmo pelo esporte de contato.

Desde o início, a parceira de treinos e competições foi a irmã, que tem um ano a mais que ela. “A gente começou a treinar juntas, depois a competir e conseguir, juntas, as classificações.” A parceria foi longe, e em 1998, nos EUA, elas disputaram o campeonato mundial infantil e os primeiros lugares foram delas. “Fizemos a final juntas, eu fui a campeã e ela, a vice”, lembra Djefini.

Desde então, elas seguem juntas, seja na mesma categoria, por conta da idade, ou em categorias diferentes, mas os lugares no pódio sempre acabam garantidos.

E ao longo da vida, Djefini foi acumulando títulos: campeã mundial em 1998, oito vezes campeã sul-americana, ganhou títulos nos campeonatos paulista e brasileiro, se destacou na Copa do Mundo de Karatê nos anos de 2005, 2009 e 2013, e agora se preparara para o Mundial 2017, que será em novembro, no Japão.

Segundo o pai, shihan Denivaldo Carvalho, se Djefini parasse de treinar hoje, levaria 20 anos para que alguma atleta conseguisse alcançar o número de títulos da filha, que tem na coleção os sul-americanos disputados no Brasil (2004, 2012 e 2015 – drean cup), na Argentina (2006 e 2010), no Chile (2007), no Uruguai (2008) e na Bolívia (2014).

O novo, e inesperado desafio

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Nas fotos da gestação, a presença do esporte por meio do quimono

A surpresa da gravidez afastou Djefini das competições, e em 2015 ela participou do seu último campeonato, no Japão. Ela deixou as disputas, mas não dos treinos. “Durante toda a gestação eu mantive, obviamente em escala menor, a rotina de treinamentos”, lembra.

Quatro meses após dar à luz – numa cesária de urgência – ela está se preparando para voltar às competições e o primeiro desafio que tem pela frente é nada menos que o mundial, que será realizado no fim do ano, no Japão.

Para esse desafio ela está segura e acredita que tem tudo para vencer. “Tenho toda fé e toda coragem para chegar ao pódio”, avalia com segurança. Mas antes, Djefini precisa garantir a viagem e busca apoio para conseguir custear os gastos. Para isso ela criou uma vaquinha online (Brasileira rumo ao mundial de karate no Japão).

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Treino durante a gestação

Conciliando o trabalho de fisioterapeuta, a função de mãe de uma bebê de quatro meses, e o retorno da rotina de uma atleta de ponta, ela é segura do seu objetivo. “Eu tinha certeza que ia voltar para o tatame, competir e continuar com a minha carreira”, afirma.

Uma das grandes conquistas da atleta foi o exame de faixa, feito em 2011, para terceiro dan, sendo a única mulher brasileira a participar de um exame dessa dimensão. “É um exame muito difícil. Foram 400 pessoas que fizeram junto comigo, e apenas 100 passaram, entre elas, eu”, lembra.

Apesar dos títulos, a realidade no esporte

O karatê de contato Shinkyokushin, que visa o nocaute do adversário, ainda é considerado amador e não consta das práticas do calendário olímpico. Com isso, a luta de quem resolve praticar a modalidade começa logo após a decisão de se tornar um atleta.

Sem qualquer apoio financeiro governamental, seja da administração municipal, seja federal, Djefini treina na academia do pai, que fica num prédio da rua da Prata, na Vila Porto. Também não tem nenhum patrocínio. “Na verdade, o que tenho é o famoso ‘paitrocínio’, e com muito sacrifício”, declara. Segundo a atleta, isso dificulta a participação em torneios e competições. “Tudo é muito caro, as viagens, as estadias…”, lamenta. Ela ressalta que ainda é comum as pessoas pensarem que o atleta vive só o dia do campeonato. “Mas não! Existem várias necessidades. Uma estrutura até chegar nas competições.” Alimentação, treino, roupas, logística, cuidados específicos com a saúde estão entre essas necessidades.

Ao lado do pai, que a acompanha o tempo todo sem disfarçar o orgulho da filha e atleta, Djefini explica que a média de treino é de oito horas por dia, sete dias por semana. Logo, as lesões não são raras. “O atleta precisa de um suporte médico e fisioterápico especializado, por exemplo”, afirma.

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Djefini em entrevista para a TV Fuji, no Japão

Estrela no Japão, país tradicional das artes marciais, ela sempre é considerada pelos adversários como a favorita nas competições em que participa pela sua atuação no karatê no âmbito mundial. A barueriense chegou a estampar um cartaz oficial num campeonato do Japão, como um dos destaques no ranking e intitulada como uma das melhores atletas da edição que estava sendo realizada.

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Pronta para voltar aos tatames

Com a história que construiu, é fácil entender esse reconhecimento internacional, e o título de rainha do karatê, ainda mais que, desde 2004, Djefini Carvalho ganhou todas as seletivas de que participou para campeonato mundial – fase onde só o campeão de cada categoria se classifica.

Essas conquistas, ainda que com tantas adversidades, justificam a decisão de continuar no esporte e não se intimidar em buscar, já na volta às competições, o Mundial de Karatê 2017.

Quem quiser colaborar com a arrecadação que a karateca está fazendo, basta acessar o link Brasileira rumo ao mundial de karate no Japão e colaborar com qualquer quantia. As contribuições podem ser feitas por meio de cartão de crédito ou por pagamento de boleto bancário.

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