quarta-feira, junho 29, 2022
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Quero uma romã!

por: Redação

Nana Pequini divaga sobre a saudade dos tempos de infância, de como as coisas simples eram grandiosas e de como perdemos isso

Nana Pequini
Nana Pequini, é formada em História pela FFLCH-USP e em Arte Dramática pela EAD- ECA- USP. Foi professora de teatro das Oficinas Culturais de Barueri e diretora do Teatro Municipal. É dona de um vocabulário de 603 palavrões que utiliza no dia-a-dia. “Não sou de briga , mas não amenizo!”, sustenta.

Quero uma romã! Necessidade? Não! Odeio essa palavra: necessidade. Ela é tão comedida, não me parece busca. Necessidade tem uma passividade intrínseca pra mim. O que sinto é bem maior…É um mais do que querer… é uma vontade tão grande, imensa, desejosa que transforma o querer em volúpia.
Desejo uma Romã! Quero descascá-la e ver os frutos vermelhinhos lado a lado, aquela fibrinha branca separando a turma! Oh, que saudade dessa visão.
Saudade da romã da minha infância e dos sentimentos que ela me trazia. Saudade de manchar a roupa e levar bronca, saudade do chá horroroso para a garganta! Saudade de subir no telhado da casa e me juntar á copa da romãzeira e me sentir uma amazona! Era mágico estar no topo da casa! Eu conseguia ir! A única criança!
Saudade da minha magia, de voar, de ficar invisível, de me comunicar com animais.
Ficar adulto é muito sofrível! Pouco espaço para a imaginação. A imaginação de um adulto é serva dos seus afazeres. Quero voltar ao tempo que colocava o meu pai sentado e demonstrava a ele meu voo, e ele sempre me ajudava corrigindo braço (tinha que esticar mais), correr uma maior distância…
E envelhecer é uma vontade de voltar a ser criança e lembrar de sensações infantis.
Agora, olhando meu filho, sei que esse sentimento de saudade também irá transpassá-lo quando chegar a sua vez de envelhecer. Creio que é um dos poucos sentimentos que terá sua a essência preservada, não importando o quão a geração possui de tecnologia, de avanços sociais, blábláblá… A doce saudade da infância. Uma Saudade assim mesmo, com S maiúsculo, uma saudade dos sentimentos, da visão do mundo que tínhamos. Era brincar e comer! Só! Sem dramas, sem julgamentos.

Quero a partir de hoje voltar ao que eu era quando era criança! Picasso, se não me engano foi ele quem disse que levou a vida toda para aprender a pintar como criança.
Tá na hora de eu retornar a enxergar a vida como criança e extrair dela a romã deixada décadas atrás.

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