segunda-feira, maio 20, 2024
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Por uma Barueri apenas para os baruerienses

por: Redação

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Jay Rocker nos mostra como, por trás de uma atitude de suposta preservação, a xenofobia pode ser instalada 

Formado em Comunicação Social, Publicidade e Propaganda, ex-baterista da banda Vozes Incômodas, autor dos livros "Poesia das Ruas" e "Anarquismo: Uma questão de ordem, respeito e solidariedade", escrivinhador no site Interferência Urbana, ataca de poeteiro e contador de causos no site "Recanto das Letras", reside em algum lugar além do arco-íris, não está na moda, não bebe, não fuma, não cheira, não dança, não joga e não namora em pé.
Formado em Comunicação Social, Publicidade e Propaganda, ex-baterista da banda Vozes Incômodas, autor dos livros “Poesia das Ruas” e “Anarquismo: Uma questão de ordem, respeito e solidariedade”, escrivinhador no site Interferência Urbana, ataca de poeteiro e contador de causos no site “Recanto das Letras”, reside em algum lugar além do arco-íris, não está na moda, não bebe, não fuma, não cheira, não dança, não joga e não namora em pé.

Falar sobre separatismo não é coisa nova no Brasil e nem no mundo. Diversos estados brasileiros já o quiseram, mas recentemente, o plebiscito que pedia a separação da Região Sul foi colocado em evidência, onde 95% dos votantes optaram pelo SIM, queriam que Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul se separassem do Brasil.

E não pensem que isso é um pensamento sulista, Pernambuco já se preparava para sua Marcha Separatista em 1917. São Paulo tem e teve muitos grupos que pedem o mesmo, tendo até Alphaville querendo ser uma cidade independente de Barueri, então é por isso, que eu, barueriense nato, que chegou ao mundo em plena Avenida Henriqueta Mendes Guerra também proponho um Barueri só para Barueriense.

Sim, tivemos algo quase parecido com a criação do Cartão Barueri, que destinava o uso do aparelho político e social apenas para moradores da cidade.

Vamos pensar. Barueri para Baruerienses deu certo. Temos a cidade para nós, baruerienses.

Passo 01: Restringir o serviço público apenas para baruerienses. As filas para cuidados médicos serão menores, serviço social terá melhor qualidade, as crianças terão acesso aos melhores colégios da rede e não terão que brigar por vaga com crianças das cidades vizinhas.

Passo 02: Com o tempo, vamos reduzir o desemprego. Todo mundo que não é barueriense será demitido das empresas. As vagas serão apenas para os moradores de Barueri. Pronto, nada de trabalhar longe, as vagas são nossas, moradores da cidade não terão problemas de desemprego.

Passo 03: Como será uma Barueri para Baruerienses, vamos expropriar todo comércio e empresa de quem não é Barueriense. Da barraca de cachorro quente ao maior complexo industrial da cidade, expropriaremos e será dos Baruerienses.

Passo 04: Você não nasceu em Barueri? Seus pais não nasceram aqui? Vamos expulsar todos. Só teremos baruerienses “da gema”. A nova raça Barueriense não deve se misturar com outras raças. Não existirá negro, branco, albino, nada. Apenas os Baruerienses na cidade.

Passo 05: Os baruerienses precisam seguir um padrão comportamental e estético. Ok. Homossexuais, deficientes, gordos, anoréxicos, loucos entre outros que não seguem o padrão, deverão ser expulsos. Não, melhor que isso, para não ter problemas, podemos criar câmaras que matem essas pessoas. Prisões para quem se rebelar, anular os sinais de comunicação, deixar apenas os canais do governo, os meios do governo para controlar e provar que tudo está sendo feito de melhor para o povo, pois estamos nos livrando das raças impuras, só tendo baruerienses em nossa cidade…

Pois é, a longo prazo (as vezes nem tão longo) essas escolhas efêmeras podem trazer estragos muito grande.

Para que não haja confusão de julgamento, eu não partilho dessas ideias, como um ser cosmopolita, não acredito nessa de “Barueri para Baruerienses” e tão pouco em qualquer movimento separatista. Também não tenho o cartão Barueri, pois discordo da forma de segregação que o mesmo impõe e sim, sou nascido em Barueri, mas suas linhas imaginárias não me limita, sou um ser universal, feito de poeira cósmica e parte do processo evolutivo do universo.

Essas linhas tentam apenas mostrar que em poucos passos, você pode assinar sua própria sentença de morte, a de seus filhos, seus pais e muita gente que você gosta. Portanto, cuidado com as propagandas divulgadas e principalmente com aquelas campanhas que você “orgulhosamente” divulga por livre e espontânea vontade.

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