segunda-feira, maio 20, 2024
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Por quem os sinos dobram?

por: Redação

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Valter Klenk faz uma avaliação sensível e sensata sobre festividades religiosas, incluindo as comemorações juninas e de padroeiros

Valter Klenk, é formado em Comunicação Social, trabalha como Analista de Sistemas, nascido em Barueri, participou ativamente da vida cultural da cidade, no teatro, na música, na produção de curtas-metragens e saraus. Acha que sabe de quase tudo um pouco e quase tudo mal.
Valter Klenk, é formado em Comunicação Social, trabalha como analista de sistemas, nascido em Barueri, participou ativamente da vida cultural da cidade, no teatro, na música, na produção de curta-metragens e saraus. Acha que sabe de quase tudo um pouco e quase tudo mal

“… é sempre mais fácil achar que a culpa é do outro, evita o aperto de mão de um possível aliado, convence as paredes do quarto e dorme tranquilo…” Raul Seixas.

Mês de junho é uma festa.  E não é de hoje. As festas juninas têm sua origem nas celebrações pagãs do solstício de verão, na antiga Europa, para comemorar o início das colheitas, e seu nome era uma homenagem à deusa Juno, mulher de Júpiter. Outros povos, como celtas e egípcios, também faziam festividades parecidas com o mesmo objetivo. Tal quais as atuais, essas festas eram regadas a muita comida e bebida. Com a ascensão do Cristianismo no velho continente, a igreja Católica se apropriou das festividades e as incluiu no seu calendário homenageando seus santos João, Antônio e Pedro.

Em todo o Brasil, mais ainda no Nordeste, as festas se enraizaram na cultural popular e diversas cidades têm feriado decretado em uma dessas datas. As quermesses se espalham por todos os cantos e a riqueza cultural em torno delas é digna de entrar para o patrimônio cultural da humanidade.

Barueri não fica atrás. Mesmo tendo como padroeira do município Nossa Senhora da Escada, as atenções estão todas voltadas para o padroeiro do distrito sede, São João Batista. No dia 24 de junho, Barueri para por conta da procissão, lavagem do santo e a queima de fogos. E é aí que quero chegar.

Todo ano é a mesma coisa, uns aplaudindo e curtindo a festa. Outros, talvez até curtindo a festa, mas soltando expressões como “olha nosso dinheiro sendo queimado”. Os mais ferrenhos se apegam que o estado é laico e, portanto, não deveria dar sustentação à eventos religiosos.

Então vamos lá. Um pouco de cada vez. Primeiro, é uma festa bonita. Em tempos em que a cultura está sendo pasteurizada e perdida por conta da massificação da mídia, eventos como esses são uma lufada de esperança de que a cultura continue viva.

Segundo, colocar dinheiro em qualquer manifestação cultural ou folclórica não é queimar dinheiro, mas atender aos anseios da população. Esse povo sofrido, ou não, merece festas. Merece ver uma vez por ano o espocar dos fogos, merece ver suas crianças com um brilho no olhar diante do espetáculo, merece encontrar os seus e se divertir.

Terceiro, o estado é laico, sim. E, para um ateu, é fácil se apegar a isso e esculachar com tudo. Mas aí seria um pensamento muito raso. A tradição cultural é uma das bases mais sólidas da formação de uma nação. Se pensarmos com profundidade, veremos que as músicas têm suas bases na religiosidade. O rock, o samba, o blues etc.

O que não se pode é utilizar do poder público para patrocinar determinados grupos religiosos, visando criar currais eleitorais. Não pode é se apropriar da festa para se colocar em evidência para obter dividendos políticos. Não pode é achar que a festa religiosa do outro é ruim e querer fazer a sua.

Se os seus sinos dobram por João, Baco, Juno, solstício ou por nenhum deles, não tem importância, a cultura e o respeito vem primeiro e não há lugar para culpar ou atacar os outros. E, por mim, que façam uma festa para Dionísio, com muito vinho, teatro e outras coisinhas mais. 

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