quarta-feira, julho 24, 2024
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Um século de prisão: “foi um julgamento emocional”, afirma advogado

por: Redação

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GCM Sérgio Manhanhã foi condenado, em júri popular, na sexta-feira, a 100 anos de prisão por participar de 17 mortes

A semana em Barueri foi basicamente em torno de um julgamento que começou segunda-feira, 18/9, e esperava-se que durasse até 12 dias. Entretanto, foram apenas cinco para o veredicto final: o GCM de Barueri Sérgio Manhanhã que, preso durante todo o processo alegou ser inocente, foi condenado, por 4 votos a 3, à pena de 100 anos de prisão em regime fechado.

GCM foi condenado com mais dois PMs pela morte de 17 pessoas/Fotos: Divulgação
GCM (à esquerda) foi condenado com mais dois PMs pela morte de 17 pessoas/Fotos: Divulgação

Durante os dias do julgamento, entre depoimentos, manifestações de familiares das vítimas pela condenação, e de quem defendia o GCM, sob a alegação de que ‘um joinha não é crime’, quase todos acreditavam na absolvição de Sérgio. Afinal, a defesa era categórica em afirmar que não havia provas da participação, direta ou indireta, do então comandante do  Grupo de Intervenções Táticas Estratégicas (Gite) da GCM nos assassinatos de 17 pessoas na noite de 13 de agosto de 2015 em Barueri e Osasco.

Minutos depois de revelada a sentença, o Barueri na Rede conversou com Abelardo Rocha, advogado de defesa do então comandante do Gite, sobre o veredicto do júri. “Diante da falta de provas, quando saiu o resultado, minha pressão subiu tanto que precisei me apoiar para não passar mal. Foi uma surpresa. Estávamos muito confiantes na prova da inocência do Sérgio [Manhanhã]”, revelou o advogado, que acrescentou não se tratar de mais um caso, ou um cliente, mas também de um amigo.

“Vamos recorrer! Tenho convicção de que vamos virar isso no tribunal. A decisão foi contrária às provas dos autos, não houve individualização da pena”, avaliou. Segundo Abelardo, o mais difícil disso tudo é a situação do cliente. “O duro é que isso leva tempo e a vida dele está insuportável lá dentro. Eu não tenho palavras para pedir para ele aguentar mais um pouco”, lamenta.

Sobre a surpresa da condenação e do tempo da pena, Abelardo está seguro de que a decisão do júri se deu pelo apelo popular. “A Defensoria Pública, para se ter uma ideia, foi assistente de acusação. Foram testemunhas que não sabiam nada dos fatos, chorando em plenário. E isso influenciou demais na decisão sobre o Sérgio, que é inocente”, afirma o advogado.

Segundo ele, em casos de júri popular, os jurados não votam de acordo com o Direito. “Mas nós vamos virar isso no tribunal. Eu não desisti. Eu vou apelar. Não me conformo com essa decisão”, garante.

O efeito da condenação

Minutos depois de divulgado o veredicto e a pena dada à Sérgio Mananhã, pelas 11 mortes na chacina e condenado a 100 anos de prisão, uma avalanche de mensagens, tanto em redes sociais como aplicativos de celular, demonstravam não acreditar sobre o que se falava. “Não é mais nem uma questão de culpabilidade. É a justiça fechando os olhos para o que deveria ser a base de qualquer julgamento: provas, e no caso dele, inexistentes”, revoltou-se um dos muitos GCMs de Barueri que falaram com o BnR por telefone, na intenção de confirmar a notícia.

Não apenas na Guarda Municipal, mas em outros órgãos, como Demutran e algumas secretarias da prefeitura, não havia quem acreditasse de imediato. “Não pode ser. As provas de que ele sequer estava na rua não foram consideradas?”, foi outro questionamento feito por um agente de segurança, como forma de desabafo.

Ainda neste sábado, 23/9, o assunto era a condenação do GCM. Todos os que falaram com o BnR pediram explicitamente para não ser identificados. A alegação de uma forma geral era: não se pode confiar em mais nada. “Uma mensagem de celular rende 100 anos de prisão para um profissional exemplar, imagina o que uma identificação numa reportagem não renderia para a gente”, justificou um guarda municipal que trabalhou diretamente com Sérgio Manhanhã.

Nas redes sociais, tanto policiais, como familiares, amigos e até pessoas que dizem não conhecer pessoalmente o GCM manifestam-se confusos com a decisão tomada pelo júri, seja pela condenação, seja pelo tempo da pena.

Abelardo da Rocha afirmou diversas vezes que Sérgio não tinha ligação com os crimes. “Pode haver indício, mas não existe nenhuma prova contra ele. Não podem condenar com falta de provas”, concluiu.

Mas também muitos se manifestaram à favor da decisão do júri, sob a alegação de que a justiça tem que ser feita, mesmo que as famílias não tenham seus entes de volta.

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