sábado, julho 2, 2022
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Quem matou Jânio?

por: Redação

Na esteira da boataria sobre a morte de Jânio, Valter Klenk fala do perigo de propagar informação sem certificar sua veracidade

“Você foi um boato, só agora eu sei em quem acreditei. Andou de boca em boca, no meu coração, até que um dia desmentiu minha ilusão” –  Boato – de José Roberto Kelly – gravada por Elza Soares

 

Valter Klenk, é formado em Comunicação Social, trabalha como Analista de Sistemas, nascido em Barueri, participou ativamente da vida cultural da cidade, no teatro, na música, na produção de curtas-metragens e saraus. Acha que sabe de quase tudo um pouco e quase tudo mal.
Valter Klenk, é formado em Comunicação Social, trabalha como Analista de Sistemas, nascido em Barueri, participou ativamente da vida cultural da cidade, no teatro, na música, na produção de curtas-metragens e saraus. Acha que sabe de quase tudo um pouco e quase tudo mal.

Não, não. Jânio não morreu. Está se recuperando bem das agressões sofridas durante um assalto em sua residência. Sua família também se recupera do susto e dos boatos acerca da morte de Jânio. Boatos que correram boca-a-boca e pelas redes sociais.

Mataram o Jânio não sei quantas vezes.  Sempre informações de “fonte segura”, de “alguém próximo da família” ou, mesmo, sem citar fontes, mas com “convicção”. A rede de boatos e mentiras não é novidade, tampouco, exclusiva de A, B, ou C. Eles surgem em algum ponto e se espalham, sem controle.

Recentemente, boatos davam conta que três crianças haviam falecido no Pronto Socorro Central por conta de ingestão de Toddynho contaminado. Não havia mortes em Barueri, não havia Toddynho na questão, nem, ainda, contaminação. O caso se deu no Mato Grosso, o produto era o Itambezinho e não houve contaminação, mas envenenamento. Olha a distância!

Quando se trata de um político, a culpa da origem do boato recai, quase sempre, nos seus adversários. Seja verdade ou seja boato. Em janeiro, o Barueri na Rede fez um editorial onde criticava os políticos inescrupulosos que, com fins exclusivamente eleitoreiros, inventaram uma epidemia de dengue na cidade.

Boatos já acabaram com empresas, com carreiras e com vidas. Dá para ficar laudas e laudas contando casos de boatos que acontecem no nosso cotidiano. Tem até site especializado nisso. Mas quando a rede se tece, ela se expande e ninguém segura. E o pior é que ela tem efeito bumerangue. O curioso é ver os tolos, agora informados, tripudiando sobre os tolos da vez.

A expansão dos boatos ganhou força após o advento da internet. Há mais informação circulando e de forma mais democrática. Entretanto, há uma poluição maior e tem que se estar muito atento para não cair nessa rede. Qualquer um pode escrever qualquer coisa e cabe ao receptor da informação verificar antes de propagar.

Mas, e Jânio? Quem matou Jânio? No dia do assalto, recebi várias notícias de sua morte. A minha primeira pergunta, naturalmente, era “qual a fonte?”. Principalmente, pelo fato de ser pessoa pública, poderia estar sendo objeto de boatos.

Jânio não é o político que precise de uma comoção social para se eleger, pois é campeão de votos. Também, não me parece alguém que tenha inimigos ferrenhos a ponto de espalhar tais boatos. Mesmo porquê o efeito poderia ser inverso.

Quero crer, então, que a falsa notícia tenha nascido da inocência das pessoas, aliadas ao ditado “quem conta um conto aumenta um ponto”.  Acho que se formos buscar a origem encontraremos um rótulo. Sim, um rótulo. Porque na sociedade de hoje não se vai mais ao fundo. Não há mais aprofundamentos ou análises assertivas. “Foi um fulano que interpretou mal e repassou para outro que acreditou”. Um tolo e um crédulo. Pronto! Rotulados! Fim da questão!

Espalhar notícias sem conhecer a veracidade e as fontes pode trazer graves consequências. Às vezes, irreversíveis!

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