segunda-feira, julho 4, 2022
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Operação contra dengue reforça temor de epidemia

por: Redação

Ação realizada sábado (16/1) no Engenho encontrou muitas situações de risco. Voluntários identificaram desinformação e negligência

A primeira operação contra a dengue do ano, realizada no sábado (16/1) na região do Engenho Novo, reforça o temor das autoridades de saúde do município de que os efeitos da doença em 2016 possam ser maiores do que em 2015. Os voluntários e agentes de saúde encontraram muitas situações de risco nas casas visitadas e, o que é mais grave, comportamentos dos moradores que ampliam o perigo de multiplicação dos focos de larvas e criadouros de mosquitos.

Em 2015, Barueri registrou mais de 6 mil casos de dengue e o sistema de saúde não deu conta de atender adequadamente a toda a população. Boa parte desses casos era de cidades vizinhas, o que superlotou os pronto-socorros e muitas pessoas chegaram a esperar por mais de 12 horas pelo atendimento.

A operação de sábado, organizada pelo Centro de Prevenção e Combate à Dengue e batizada de Batalha do Engenho, contou com a participação de mais de 700 pessoas, entre funcionários das áreas de saúde e do controle de zoonoses da prefeitura e voluntários de outras onze secretarias.

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Equipes em ação na operação no Engenho/Foto:Divulgação

Foi o que se chama “visita mecânica”, em que os agentes pedem autorização para entrar nas casas, fazem uma avaliação do local, identificam problemas e orientam os moradores.

Pontos de risco

Encontramos muitos focos de larvas”, disse uma voluntária que participou da ação. “E quando mostramos para as pessoas da casa, elas ficam constrangidas, muitas dizem que cuidam, que seguem as normas, mas a verdade é que há muito descuido.”

As equipes identificaram pontos em que a água se acumula e as pessoas nem se dão conta, como brinquedos, dobras de piscinas de plástico esvaziadas e até calhas. “Numa casa encontramos um foco na carroceria de um caminhãozinho de plástico deixado no quintal por uma criança”, conta outra voluntária.

Para Antônio Donizete, um dos coordenadores da ação, o comportamento das pessoas é o maior problema. “É uma questão cultural, as pessoas negligenciam, acham que não vai acontecer com elas, que um pequeno acúmulo d’água não oferece risco, e acabam descuidando”, conclui.

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Os voluntários afirmam que muitos moradores demonstram desconhecer os cuidados que devem tomar ou mesmo os riscos da doença, mas Donizete concorda apenas em parte. “A informação está em toda a parte o tempo todo, a mídia publica orientações, a TV passa campanhas promovidas pelos vários níveis do governo, não tem como não saber.”

 

Ele afirma que o Centro de Prevenção faz vistorias regulares nas áreas de risco, mas que, quando as equipes voltam aos locais vistoriados, em muitos casos, encontram a mesma situação anterior.

Análise de resultados

Terminada a operação no Engenho, cada dupla de agentes fez um relatório com a situação encontrada em cada casa. A partir dessas informações, novas ações serão programadas. O relatório da Batalha do Engenho será concluído na próxima semana.

O índice de casas não visitadas gira em torno de 50%, a maioria por falta de quem receba os agentes. São casas em que não há ninguém para atender no momento da visita ou que estão vazias. Mas cerca de 5% são pessoas que não permitem o acesso dos agentes.

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Nesses casos, o Centro de Prevenção volta ao local várias vezes para tentar convencer o morador a aceitar a presença das equipes. Se houver resistência, em último caso, a saúde recorre ao decreto municipal que autoriza o ingresso forçado, com apoio da Guarda Municipal. “Mas evitamos ao máximo chegar a esse ponto, por isso fazemos quantas visitas forem necessárias até convencer o morador”, explica Donizete.

Nebulização

Quando são registrados muitos casos de dengue numa mesma área, é feito o trabalho de nebulização, que consiste na aplicação de veneno para matar o mosquito. O produto é letal apenas para o inseto, não para as larvas, por isso só é usado quando há infestação.

Nessas situações, é definida uma área de nove quarteirões em volta das residências onde há enfermos, todas as pessoas e animais são tirados de casa para a aplicação e só podem voltar depois de 30 minutos, porque o produto é muito forte.

A operação de sábado foi realizada nos bairros do Engenho Novo, Califórnia, Jardim Graziela e São Silvestre. Foram distribuídos panfletos ainda na Chácara Marco e no Jardim São Luís. A próxima operação será dia 30, no Jardim Belval.

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