segunda-feira, julho 4, 2022
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O único adversário que pode detê-los é a falta de apoio financeiro

por: Redação

Sem patrocínio, craques do kung fu de Barueri podem ficar fora do Mundial. Classificados, eles dependem de verba para representar o Brasil lá fora

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Eles saíram de todos os cantos de Barueri para se tornar os melhores do continente. Estão com as malas quase prontas para representar o Brasil no Pan-Americano, que vai ser disputado nos EUA, em agosto. Também conseguiram classificação para o Campeonato Mundial, no fim de setembro. Os atletas das categorias de base do kung fu do Grêmio Recreativo Barueri (GRB) são um exemplo de superação, talento e técnica. Mas tudo isso pode se perder por falta de patrocínio.

Desde que a prefeitura de Barueri rompeu o contrato de apoio ao esporte de ponta do GRB, no ano passado, muitos atletas tiveram que deixar o clube em busca de apoio. Conseguiram permanecer aqueles que dão aulas de artes marciais nas escolinhas, como João Garcia, do jiu-jítsu, campeão mundial em sua categoria, e a dupla Rodrigo Arita e Andrew Rodrigo, hexacampeões brasileiros de karatê.

P1050099Hoje, os alunos mais talentosos, ao atingir a idade adulta, se deparam com a incerteza de como continuar a carreira. É o caso da garotada do kung fu. Quatro deles obtiveram classificação para o Pan-Americano do Texas no mês que vem, mas apenas três conseguiram patrocinador. Andrea, Gustavo e Nayara terão as despesas pagas pela empresa Wuxia, de material e marketing esportivo. Já Otávio continua sem apoio e corre o risco de não viajar. Nayara, Gustavo e Otávio também estão no time brasileiro para o Mundial Juvenil da Bulgária em setembro, mas nenhum dos três garantiu a viagem por falta de recursos.

A simples classificação para essas competições já dá uma medida do nível da garotada. Mas eles são grandes campeões, também. Em 2015, por exemplo, Andreia e Gustavo venceram o Sul-americano disputado no Paraguai nas categorias mãos livres e facão. Nayara foi vice.

E mais títulos podem vir ainda este ano. Além do Pan e do Mundial, o time de atletas do GRB vai disputar no próximo fim de semana, 30 e 31/8, o Campeonato Paulista. Em setembro, será a vez do Brasileiro, em Brasília, e em outubro tem o Sul-americano, na Argentina. Tudo isso, desde que o clube ou os lutadores consigam meios de bancar as despesas.

Hoje, o GRB depende de ajuda de amigos e familiares dos atletas. A Associação Maochuen, pioneira do kung fu em Barueri, promove rifas e bingos para arrecadar dinheiro, que é doado ao clube para pagar taxas de federações e despesas corriqueiras. O clube tem cerca de 400 alunos nas escolinhas, a partir dos 9 anos de idade. Desses, 25 são atletas de competição na categorias de 12 a 18 anos e três adultos.

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Getúlio Nardini Filho, professor e técnico de kung Fu do GRB

O time competitivo é de alto nível. “Todos tem grande potencial e podem se tornar atletas de ponta, disputar pódios internacionais”, explica Getúlio Nardini Filho, professor e técnico de kung Fu do GRB. “Nós trabalhamos para que eles possam viver do esporte, esse é o nosso sonho”, afirma.

O mestre Francisco Crisante, professor no GRB e dirigente da Maochuen, também é entusiasta, mas teme pelo futuro dos jovens campeões. “Sem bolsa, eles têm que trabalhar e estudar, e então fica difícil treinar com intensidade”, afirma. “O kung fu exige muita dedicação.” Hoje, os atletas treinam três horas por dia de segunda a sábado. “Por enquanto, eles têm se dedicado e os resultados têm aparecido, mas é porque ainda não trabalham”, diz o mestre.

 

Os quatro da seleção

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Os quatro atletas do GRB que estão selecionados para representar o Brasil têm pontos semelhantes. São todos de Barueri, apaixonados pelo esporte, querem ser professores de kung fu e têm o mesmo sonho de poder construir uma carreira vitoriosa no esporte.

P1050120 CloseAndreia Teodora é a mais velha, com 19 anos. Já passou para a categoria adulta. Ela, que é do Belval, até que demorou para abraçar o kung fu, o que só aconteceu quando tinha 15 anos. Antes, fazia jazz, mas a professora parou com as aulas. Quis ir para o karatê, mas a mãe não deixou. “Disse que não queria que eu ficasse com marcas”, diz, enquanto passa a mão por um hematoma no braço e ri. “Então, um amigo sugeriu o kung fu e eu vim.” Ela quer fazer carreira no esporte e se prepara para o vestibular em fisioterapia. No futuro, pretende trabalhar na recuperação de atletas com problemas físicos e lesionados.

P1050121 CloseNayara Rocha é do Silveira, tem 17 anos e está no terceiro ano do ensino médio. Conheceu o kung fu aos 8, quando se matriculou numa academia para fazer natação. Quando a escola fez uma promoção que oferecia aulas grátis de luta, foi ver por curiosidade e ficou. Acha que sua geração terá uma grande importância para o kung fu. “Espero que o nosso esporte seja reconhecido no Brasil um dia e o que nós fizermos hoje será importante para isso acontecer”, afirma.

P1050122 CloseOtávio Vasconcelos é o mais jovem do quarteto. Tem 14 anos e é considerado precoce pelos mestres. Está no nono ano do ensino fundamental e é do Engenho Novo. Quando mais jovem, adorava ver filmes de kung fu, e o esporte começou a chamar sua atenção. Aos 10 anos, foi ver um jogo de vôlei, estava havendo uma aula de kung fu, ele viu, gostou e resolveu fazer. Independentemente de seguir carreira como atleta, Otávio adora o kung fu e se vê no futuro treinando sempre. E faz um convite: “Quem estiver interessado, venha ver as aulas.”

P1050124 CloseGustavo dos Santos tem 17 anos, está terminando o ensino médio e mora no Vale do Sol. Ele também começou cedo no esporte, aos 8. Na época, fazia futsal, mas matava os treinos para ver filmes de lutas. Foi fazer natação e também pegou a mesma promoção que Nayara na academia.

P1050119 closeO time ainda tem uma mascote. Letícia Brito, de 10 anos, que já disputa competições. Ela é do Graziela e está no quinto ano do fundamental. Aos 7 anos, tinha problemas de peso e a mãe a matriculou no balé. “Não gostei”, diz.

Então, fez uma aula experimental de kung fu e se encontrou. Apesar de tão jovem, já sente o problema da falta de apoio. “Às vezes desanima, você vê que quer fazer uma coisa e não pode.” Sua mãe é uma das voluntárias no trabalho de arrecadação da Associação Maochuen. Letícia diz que seu futuro é lutar kung fu.

Assista ao vídeo dos alunos do Kung Fu do GRB

 

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