quarta-feira, julho 17, 2024
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“Nós temos que enxugar a máquina, deixar no limite”

por: Redação

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Rubens Furlan prevê tempos difíceis caso se eleja. Ao contrário dos discursos otimistas, ele admite que não há espaço para certas práticas do passado 

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Para Rubens Furlan, candidato a prefeito pelo PSDB, os tempos de fartura de Barueri acabaram. “Agora nós somos uma cidade igual a todas as outras”, afirma. Por isso, ao contrário da euforia que demonstra em seus discursos, nessa entrevista ao Barueri na Rede ele finca os pés no chão. Admite erros do passado, que precisam ser corrigidos, e prevê dificuldades pela frente. A ordem é cortar gastos, e isso inclui reduzir a máquina e enxugar o funcionalismo e rever as políticas sociais. “Hoje, as necessidades são maiores do que os recursos”, calcula. Aos 63 anos, ele abandonou a ideia de se aposentar da política para cumprir o que chama de missão. 

Você chegou a dizer que não pretendia disputar mais eleições. O que aconteceu?

Quando eu estava terminando meu quarto mandato, quatro anos atrás, eu entendi que a minha missão aqui estava concluída. Tudo aquilo que eu desejava realizar para a nossa cidade, já tinha sido realizado, eu tinha conseguido. Então, eu era um prefeito realizado por tudo que nós tínhamos conseguido fazer. Mas o tempo foi avançando e a gente começou a perceber que as coisas não iam da forma que estavam antes, elas estavam tomando um outro rumo. Era a crise nacional e uma série de razões que não vale a pena a gente entrar. E eu comecei a imaginar que a experiência que eu acumulei durante toda a minha vida seria importante para ser usada neste momento em Barueri. E pelo momento que estamos vivendo, eu comecei a me animar, achei que ainda não estava concluído aquilo que eu imaginava para a cidade. E resolvi aceitar como um desafio, coloquei isso na minha casa. Minha mulher achou que nós já tínhamos parado, ela não contava com isso, mas foi se acostumando com a ideia e convergimos todos para a mesma direção. E nós estamos animados, sabendo que não vai ser fácil, que serão momentos de muita dificuldade, mas serão momentos importantes para mim a para a cidade.

Você teve quatro mandatos, todos com orçamento em crescimento. Hoje, a população continua aumentando e o orçamento congelou. É uma situação nova para você. Como você vai lidar com isso?

Este é o grande desafio, porque funcionava assim, eu impulsionava a cidade em algum momento. Em outros momentos, a cidade me impulsionava. Então a gente ia como se fosse um rolo, eu, o crescimento e tudo. Em determinado momento eu criava situações para crescer. Em outros momentos, o crescimento independia de qualquer criação. Hoje, não, a cidade no estágio em que está, tem que tomar um novo rumo, uma nova direção. Não é mais aquela abundância, é uma cidade que tem um orçamento razoável, mas ao longo do tempo ocorreram distorções, não por esse prefeito ou pelos prefeitos, foram criados pela própria dinâmica social, um crescimento meio desordenado. Agora, não, tem que ordenar tudo, tem que encaixar todas as necessidades da cidade num orçamento que é menor do que era antes, não em números, mas proporcionalmente. Hoje, as necessidades são maiores do que os recursos. Então, isso para mim é um grande desafio.

Você está preparado?

Estou preparado. Eu tenho certeza que com a experiência que eu adquiri ao longo da vida, e está tudo na cabeça, a gente põe alguma coisa no papel, mas como ela vai caminhar está tudo na cabeça. Se for da vontade de Deus, nós vamos fazer o maior governo da história.

Há uma expectativa muito grande do seu eleitorado. Você não teme frustrá-lo?

Eu não sei se isso é o melhor ou o pior, porque a expectativa do povo é a mesma que a minha. Eu estou numa expectativa de que vou conseguir fazer um grande governo. Eu sei que o povo espera isso. Outro dia ouvi alguém dizer: “o povo vota com você porque sabe o que pode esperar de você, com você ele sente segurança”. Hoje, o desafio é ir além do que o povo espera de mim. Demorou 40 anos para conquistar o carinho do povo, não posso perder isso em quatro anos. Não é uma promessa, é um desafio. Vai ser uma luta, talvez o momento mais extraordinário da minha vida sejam os primeiros meses do próximo governo.

Quais são as medidas de curto prazo que você pretende tomar?

Nós temos que enxugar a máquina, deixar no limite, fazer uma administração empresarial. Se eu tenho uma empresa, e a minha empresa tem dez pessoas, ela não pode ter vinte, porque senão eu quebro. É mais ou menos isso, gestão empresarial.

Você falou em redução de secretarias…

furlan-pb4Eu acho que podemos ter no máximo doze, dez seria o ideal. Quando a cidade pôde fazer alguma coisa além do que seria necessário, tudo bem, por que não fazer? Agora não pode mais, nós somos uma cidade igual a todas as outras, com todas as dificuldades de um país em crise. Só que nós não podemos parar, principalmente, de fazer investimentos na área social e na infraestrutura para ela continuar crescendo. Você tem que fazer a cidade voltar a crescer, apesar do Brasil, nós temos que estar na frente do Brasil. Quando o Brasil crescia 1,5%, Barueri crescia 15%. Hoje, o Brasil decresce, diminui na produção dele, 3%, Barueri tem que crescer 1 ou 2% pelo menos. Barueri tem que estar na frente do Brasil, porque nós temos uma estrutura para isso, em que pese estar no contexto da economia brasileira. A gente tem que encontrar caminhos para isso.

Quando você fala em redução da máquina, você não esbarra na questão do funcionalismo, que tem um plano de carreira emperrado, problemas na Justiça?

Nós vamos fazer exatamente o que a prefeitura precisa que seja feito, o que for importante e necessário para que não fique comprometida a economia da cidade. Nós vamos fazer, nada mais além e nada menos. Vamos fazer o que tiver que ser feito, sem ver A, B, sem ver o TAC, sem ver o plano de carreira, porque eu coloquei tanto para os funcionários lá atrás, no meu terceiro ou quarto governo, tinha muitas coisas que nós criamos, que nós fizemos para beneficiar o funcionário público e depois acabou virando distorção. E nós tínhamos que corrigir, que toda medida, ao longo do tempo precisa de um ajuste, uma correção, porque senão vira distorção, e a distorção vem contra os beneficiados daquela providência que foi dada. Naquela época, por que eu criei o triênio? Porque era injusto a pessoa ser contratada hoje e ganhar a mesma coisa naquele cargo do que alguém que estava lá há 20 anos. Não era justo. Então criamos o triênio, aliás, um absurdo, com 7,5% em cada triênio, mas era possível fazer porque nós estávamos crescendo, as coisas iam bem e eu queria funcionário feliz. frase-producao-azulPorque o funcionário tem que estar feliz, porque é através dele que nós prestamos um bom serviço. Se o funcionário estiver insatisfeito e infeliz, isso vai refletir no serviço que ele está oferecendo para a população. Ele vai atender as diretrizes do governo, mas de uma forma que não atende aquilo que a gente pretende para o povo. Então ele tem que estar feliz para cumprir as diretrizes da forma que têm que ser cumpridas. E essa distorção tinha que ser corrigida. E o que aconteceu por conta disso? Nesse governo, aquilo que foi corrigido, foi “descorrigido”, então criou-se essa cultura que a gente finge que está tudo bem com os funcionários e eles fingem que estão aceitando como tudo bem e vai que vai. Não pode ser assim. As coisas têm que ser bem definidas. Nós vamos definir bem, vamos corrigir as distorções… não estou falando só do atual governo, não, essa situação foi criada pelos governos que eu exerci, inclusive porque era necessário naquele momento. Então, a gente tem maturidade e experiência para isso. Vamos fazer tudo o que for necessário para o equilíbrio econômico da nossa cidade, vamos respeitar. E a necessidade da cidade será coerente com o TAC.

Qual é o principal problema da cidade hoje?

A saúde. É fundamental que se resolva nos três primeiros meses a dedicação total à saúde, principalmente ao funcionamento do hospital, que tem que funcionar muito bem. Para isso, se for necessário, até o governador nós vamos botar na parada. Mas nos três primeiros meses nós precisamos consertar, principalmente o hospital. Depois a gente vem com os pronto-socorros, com as UBS, com as policlínicas, mas começando do hospital para toda a saúde primária.

A cidade cresceu muito rápido, enormes condomínios surgiram, o tráfego está estrangulado. Como você pensa essa questão?

furlan-pb3A gente vê mais ou menos assim… tem obras já começadas lá atrás, como a estrada dos Altos. Ela vai bem até lá em cima, mas aqui embaixo ela ficou estrangulada, até porque têm algumas desapropriações, tem uma rede elétrica muito complexa. Ali tem que abrir pra fluir aquela região da forma que se espera. A rua da Prata precisa de um alargamento. Lá no Vale do Sol, você precisa aquela avenida que foi construída em cima do córrego laranja Azeda, (avenida Alziro Soares), ela tem que subir pelo Vale do Sol, pela Mississipi, até chegar lá em cima na Estrada Velha de Cotia para formar um pequeno rodoanel local. O Parque Imperial tem apenas uma entrada e saída. Quando tivemos o problema agora com a chuva, que caiu parte daquela avenida que é a única entrada e saída para o Parque Imperial, causou-se um transtorno muito grande para a população. Nós temos que fazer uma avenida ali, margeando o Rodoanel, saindo aqui no Tamboré. Não tem outra saída, tem que fazer, aquilo é emergencial. No Jardim Silveira tem uma lâmina d’água durante as cheias, na divisa com Jandira, que a solução é ampliar a vazão por baixo dos trilhos do trem. No Jardim Belval nós temos problemas de extravasão, ali tem que fazer uma limpeza no rio Barueri-Mirim. Maria Helena, que é o mais grave. Essas coisas a gente vai ver agora com a época das chuvas, e temos que estar muito atentos. Mas Barueri precisa ter pelo menos uns R$ 400 milhões por ano de investimento. No mínimo.

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