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“A vaga não saía e a situação se agravando… Até que ele não teve mais forças para lutar pela vida e faleceu”

por: Redação

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Entre os 13 pacientes que morreram em menos de cinco dias no PS do Silveira, três aguardavam transferência para o HMB

Por Verônica Falco

PS do Parque dos Camargos teve 13 mortes em menos de uma semana. Casos foram registrados entre os dias 4/7 e 8/7
PS do Parque dos Camargos teve 13 mortes em menos de uma semana. Casos foram registrados entre os dias 4/7 e 8/7

Na manhã de uma quarta-feira, amigos do homem que vamos chamar de José (nome fictício) acompanharam o drama que se repetiria com outros 12 pacientes que morreram em cinco dias num dos serviços de atendimento público de saúde de Barueri.No caso de José, que teve a história relatada ao Barueri na Rede por amigos que testemunharam a luta da família, foram três dias de apreensão, dor e incertezas que terminaram no pior dos cenários: o paciente morreu à espera de transferência para o HMB.

A situação da saúde pública do município tem sido destaque tanto nas queixas dos moradores e por problemas trabalhistas de funcionários, como em discursos, promessas de planos de governo e um nó que parece longe de ser desatado pela administração pública.

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Mais recentemente, o cenário que resumiu o estado crítico do sistema de saúde pública de Barueri foi o pronto-socorro do Parque dos Camargos, ou o PS do Silveira, como também é conhecido. Segundo dados da prefeitura, são atendidos lá cerca de 1,6 mil pessoas por dia, o que soma uma demanda de em média 480 mil atendimentos por mês.

Porém os relatos da última semana transformaram esses números numa realidade assustadora ao considerar que 13 pacientes morreram num prazo de cinco dias – entre 4/7 e 8/7. Tanto funcionários como amigos e parentes dos pacientes relataram episódios que, apesar de aparentemente ser frequentes, não são menos chocantes.

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Segundo dados da prefeitura, são feitos em média 1.600 atendimentos por dia no PS dos Camargos/Foto: Correio Paulista

“Toda visita era um sentimento de perda, não só para nós, mas também porque víamos as famílias que estavam ali com seus entes e a cada visita uma delas saía chorando”, contou uma pessoa que acompanhava um dos pacientes.

Um funcionário relatou que os enfermos que aguardavam transferência só foram levados ao HMB para fazer exames. Depois, retornaram para o PS porque, mesmo com pedido médico, não havia vagas no hospital. O que reforça o depoimento de um familiar que, vendo um parente morrer à espera do tratamento, resume a situação: “Como o hospital não está admitindo novos pacientes, todas as pessoas que deram entrada no PS Parque dos Camargos com algo mais crítico morreram sem chance de tratamento”.

Os outros dez mortos, segundo resposta da prefeitura, por meio da Secretaria de Comunicação (Secom), foram casos que tiveram esse desfecho por se tratarem de atendimentos de acidentes graves ou pacientes com idade avançada e com doenças crônicas e que esse número é normal no pronto-socorro em questão.

A nota, em resposta ao questionamento – enviado dia 10/7 – sobre as mortes no pronto-socorro em um período tão curto dizia:

“Destes 13 óbitos registrados desde o dia 4 no PS Silveira/Camargos, três dependiam de remoção para vagas indisponíveis na rede municipal. Os outros 10 casos foram emergências com pacientes que deram entrada com quadros irreversíveis e entraram em óbito na mesma data, por conta de infartos, choque elétrico, ou outras consequências de doenças crônicas pré-existentes e, na maioria dos casos, com idade avançada. Por se tratar de um PS que atende cerca de 1.600 pessoas por dia, infelizmente o número de óbitos não foge da média dos dados estatísticos. Ressaltamos que o HMB funciona com sua capacidade total.”

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