TJ anula júri que absolveu casal acusado de matar idosos

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Marido e mulher são acusados de matar os pais dela. Tribunal entendeu que jurados não tiveram acesso a provas

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ) anulou o julgamento que absolveu Willians de Souza e Roberta Nogueira Tafner de Souza da acusação de ter matado o pai e a mãe dela em 2010. Os desembargadores Otávio Augusto de Almeida Toledo, Guilherme de Souza Nucci e Camargo Aranha Filho aceitaram os argumentos da advogada Solange Izidoro de Alvorado Fernandes, que defende os interesses dos parentes das vítimas. Segundo ela, os jurados não tiveram acesso às provas durante o júri, realizado no ano passado. Com a decisão do TJ, o casal terá de responder novamente pelos crimes de homicídio triplamente qualificado (meio cruel, motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima).

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Willians e Roberta no dia do primeiro julgamento/Foto: BnR

Wilson Roberto Tafner, de 68 anos, e Tereza Maria do Carmo Nogueira Cobra, de 60, foram assassinados na noite de 1º para 2 de outubro de 2010 na residência deles no Condomínio das Acácias, na altura no quilômetro 40 da rodovia Castelo Branco. O casal de idosos era separado e vivia em Alphaville, mas mantinha uma casa em comum no condomínio.

A investigação da Polícia Civil concluiu que o motivo do crime foi a herança que os idosos deixariam. Willians e Roberta serão julgados novamente acusados de matar os idosos a facadas para ficar com o dinheiro do seguro de vida e herança das vítimas. Durante todo o processo eles negaram a autoria, mas a perícia da cena do crime encontrou material genético da filha do casal assassinado.

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No julgamento, realizado em 18 de maio de 2016 no Tribunal do Júri do Fórum de Barueri, o próprio promotor de Justiça Vitor Petri pediu desde o início a absolvição do casal. Segundo ele, não havia nenhuma prova concreta da autoria dos crimes e os indícios teriam sido todos desmentidos. O promotor e os advogados do casal acusado dispensaram as 18 testemunhas convocadas de um total de 60 e o julgamento resumiu-se às sustentações orais do Ministério Público e dos defensores.

Em seu voto, o desembargador Otávio Augusto de Almeida, relator do recurso ao TJ, reconheceu a nulidade do julgamento, pois não foram apresentados aos jurados elementos indispensáveis para o julgamento. “A falta de conhecimento direto das provas e a manipulação da decisão dos jurados vulneram a liberdade para decidirem sobre o caso concreto”, afirmou o magistrado em seu voto.

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Roberta e Willians chegaram a ficar presos por dois anos, mas a demora no julgamento, causada principalmente por artifícios utilizados por seus advogados, levou a Justiça a libertá-los em 2012.

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