MP investiga Professora Sônia, ex-vereadora de Carapicuíba, por nepotismo e cargo fantasma

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Pré-candidata a deputada estadual, a ex-vereadora tem o processo em andamento há quase um ano

Por: Caroline Rossetti

A ex-vereadora de Carapicuíba, e pré-candidata a deputada estadual, Sônia Maria Esteves dos Santos Sousa, conhecida como Professora Sônia, enfrenta um processo no Ministério Público (MP) por prática de nepotismo e cargo fantasma.

Atualmente, a ex-vereadora promove mutirões de emprego e castração social de animais na cidade/Fotos: Divulgação
Atualmente, a ex-vereadora promove mutirões de emprego e castração social de animais na cidade/Fotos: Divulgação

O caso está em andamento há quase um ano e segue em investigação pelo Tribunal de Justiça, na 2ª Vara Cível da Comarca de Carapicuíba, aos cuidados do Juiz João Guilherme Ponzoni Marcondes. A última movimentação feita no processo ocorreu na terça-feira, 17/7, com inclusão de intimação para as partes deporem.

A ação civil pública, de número 1006186-39.2017.8.26.0127 (veja aqui), foi instaurada após uma denúncia anônima, que foi acatada pelo MP. O processo aponta atos de improbidade administrativa, danos ao erário e enriquecimento ilícito.

Com relação a acusação de nepotismo em cargo público, a ex-vereadora teria indicado Renata Meira Primolan Yaki como Agente Parlamentar I de seu gabinete. A nomeação, aceita pelo presidente da Câmara Municipal, foi realizada com a irmã, Fernanda Meira, estando no cargo de chefia do escritório de Sônia com influência hierárquica sobre a nova funcionária. A Professora Sônia alegou desconhecer o grau de parentesco, já Renata, negou ter parentes na repartição pública.

Sobre o cargo fantasma, Renata Meira teria assinado ponto no gabinete de Sônia de 14/5/2015 a 13/5/2016, das 9 às 18 horas, como Agente Parlamentar I no mesmo horário e período em que assinava ponto em Osasco, como dentista. Após a prisão do ex-vereador Paulo Xavier por conta de investigações de funcionário fantasma em 12/5/2016, a Professora Sônia exonerou Renata do cargo no dia seguinte.

No pedido do MP, foi requerido o bloqueio imediato dos bens de Professora Sônia e Renata Meira, além de ressarcimento aos cofres públicos de mais de R$ 48 mil e inelegibilidade por oito anos. Em caso de perda do processo, Sônia estaria fora das próximas eleições.

Em nota ao Barueri na Rede, a assessoria de comunicação de Sônia reforçou que a base do processo é uma denúncia anônima e que, ao tomar conhecimento da ação, ela apresentou sua defesa esclarecendo que não havia indicado ou contratado parentes dela para trabalhar na Câmara Municipal de Carapicuíba. Foi ressaltado, também, que é papel do Ministério Público investigar o caso.

A possível futura candidata a deputada estadual

A Professora Sônia é natural do Paraná e foi moradora da Cohab de Carapicuíba. Especializada em geografia pela Universidade de São Paulo (USP), ela lecionou em escolas públicas da cidade. Foi eleita duas vezes vereadora, em 2008 e 2012, sendo o último o mandado – de 2013 a 2016 – investigado pelo processo do MP.

Em 2015, recebeu o prêmio da Associação Metropolitana de Comunicação (Amecom) de vereadora que mais representou a população nos atos da Câmara Municipal.

Em 2016, a ex-vereadora foi candidata à prefeitura de Carapicuíba pelo PRB, concorrendo com o atual prefeito Marcos Neves. Após a derrota, no ano seguinte Sônia foi secretária de habitação de Itapevi e coordenadora estadual do COP, cuidando dos Postos de Atendimento ao Trabalhador (PATs), dos programas Emprega São Paulo/Mais Emprego, Apoio à Pessoa com Deficiência e Inserção de Egressos do Sistema Penitenciário.

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