No ‘Dia do Abraço’ sobraram socos, empurrões e confusão

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Em evento para aproximar gestão municipal e funcionários, protesto de professores acaba em violência

Por Caroline Rossetti

Na tarde da última terça-feira, 12/9, professores da rede municipal protestaram em frente ao Museu da Bíblia contra projeto de lei aprovado na Câmara Municipal que reformula as regras para concessão de benefícios à categoria.

O que gerou revolta nos servidores da Educação municipal foi a aprovação, no dia 5/9, pela Câmara Municipal, do projeto de Lei Complementar nº29/2017 que reforma o abono produtividade. Aprovado, o projeto foi encaminhado ao prefeito Rubens Furlan, próprio autor da proposta, para sanção, promulgação e publicação no diário oficial.

Na descrição da Lei consta a reformulação do abono, chamado de ‘15º salário’, dos cargos públicos de profissionais da secretaria municipal de Educação.

Insatisfeito com a mudança, um grupo de professores se reuniu e tentou falar com o prefeito durante o evento Programa Nosso Abraço, no Museu da Bíblia/Centro de Eventos, mas foi barrado na entrada do local. O programa é uma ação da prefeitura para promover uma proximidade entre servidores e a administração municipal.

Empurrões no Dia do Abraço

Segundo relatos de professores da rede municipal, entre as principais mudanças estariam a não aceitação de faltas injustificadas, o que eliminaria a possibilidade de recebimento do abono. “São punições restritivas, porque parece que o objetivo é não pagar o abono produtividade, porque cria-se uma série de barreiras que impedem os professores de acessar esse direito”, avalia um dos professores que afirmam que a classe sequer foi consultada.

Já de acordo com Roger Reis Lina, que leciona filosofia na Emef Levy Gonçalves de Oliveira, do Jardim Imperial, foi realizada uma assembleia no dia 18 de agosto que aprovou uma pauta de reivindicações. A lista foi protocolada na prefeitura, mas não foi respondida.

Roger afirmou ao Barueri na Rede, que os professores já tinham uma assembleia agendada terça-feira, 12/9, quando pretendiam avaliar uma possível contraproposta do governo e então deliberar sobre o que seria apresentado. “O fato é que não se fez nenhuma contraproposta e consequentemente já era pública a notícia de que haveria essa chamada ‘semana do abraço’, e então, por decisão coletiva, decidimos ir até o local tentar falar com o prefeito”, explica. Mas os servidores não teriam sido recebidos de acordo com o lema da semana, difundido pela administração municipal.

“Lá, fomos barrados de uma forma covarde e violenta, e um dos professores chegou a receber um soco de um dos seguranças. Nós, funcionários municipais, fomos impedidos de entrar em um prédio público num evento que, supostamente, deveria aproximar o servidor público da administração”, ironizou o professor de filosofia.

Depois de muito empurra-empurra e protestos, um dos professores conseguiu entrar, mas de acordo com relatos feitos ao BnR, não houve contato com o prefeito Rubens Furlan, que teria sido retirado do local às pressas quando foi comunicado do protesto.

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