Furlan é principal alvo da operação da PF em Barueri

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Operação Prato Feito conclui que campanha do prefeito em 2016 recebeu dinheiro em troca de vantagens após a posse

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Carro da Polícia Federal na Secretaria de Educação, um dos locais por onde os agentes passaram

As investigações da Polícia Federal (PF) em Barueri que fazem parte da Operação Prato Feito, deflagrada na quarta-feira, 9/5, têm como principal alvo o prefeito Rubens Furlan. O trabalho policial concluiu que a campanha de Furlan na eleição de 2016 recebeu dinheiro para privilegiar uma empresa de material didático depois que ele fosse eleito, o que configuraria crime de corrupção passiva.

Apesar de a PF ter dado destaque na divulgação da operação a um esquema de fraudes em licitações para compra de itens da merenda escolar, em Barueri a investigação chegou a empresas de venda de livros didáticos e medicamentos. As informações constam de relatório enviado à Justiça Federal pela delegada Melissa Maximino Pastor, da PF, e que faz parte do inquérito policial que apura o caso.

De acordo com as apurações da PF, o lobista Eládio Correa Junior, que atua na intermediação entre empresas e prefeituras, procurou pessoas ligadas à campanha de Furlan para oferecer dinheiro em troca de vantagens futuras. A contrapartida seria fraudar, após a posse, licitações de materiais didáticos da Editora Melhoramentos, e também de medicamentos. O trabalho policial se baseou, entre outros instrumentos, em escutas telefônicas autorizadas judicialmente e acompanhamento das atividades do lobista.

Um dos pontos centrais do inquérito é uma reunião com Eládio realizada uma semana antes da eleição, na casa de Furlan. O relatório transcreve um telefonema do lobista feito para sua mulher na sequência do encontro dizendo que o acordo havia sido fechado. Segundo a PF, a campanha necessitava de uma quantia de última hora para fechar as contas e o valor teria sido repassado por Eládio na sexta-feira, 30/9, antevéspera da votação, pessoalmente a Furlan em sua casa, no Alphaville.

Também estão sendo investigados pela PF os irmãos do prefeito, Toninho, secretário de Suprimentos, por quem todas as compras da prefeitura passam, e Celso, secretário de Educação, uma vez que os produtos das fraudes seriam livros didáticos e apostilas.

Em razão dessas conclusões, a PF pediu e a Justiça concedeu, em nível de segunda instância, a expedição de mandados de busca e apreensão na casa do prefeito, na prefeitura e nas secretarias de Suprimentos e Educação de Barueri, cumpridos na quarta-feira. Foram recolhidos documentos, equipamentos e até telefones celulares pessoais.

A delegada conclui o relatório afirmando que “os elementos probatórios envolvendo os agentes públicos da Prefeitura de Barueri são sólidos, ao que se encontram delineadas quase todas as fases descritas no modus operandi das associações criminosas em comento (conhecidas no momento) visto que já temos indícios de corrupção ativa e passiva”.

A Operação Prato Feito investiga fraudes em 30 municípios de quatro estados e envolve empresas de vários ramos que teriam desviado cerca de R$ 1,6 bilhão nos últimos anos. Em Barueri, a PF ainda apura atuação do mesmo lobista relativa a negociações com empresas de medicamentos.

O Barueri na Rede procurou a prefeitura pedindo esclarecimentos sobre as denúncias, e foi informado que a administração mantinha o teor da nota divulgada no dia da operação policial: “A Prefeitura de Barueri colaborou com a ação da Polícia Federal desta quarta-feira (dia 9) cumprindo todos os mandados requisitados. A operação é coordenada em todo o país e investiga diversos contratos celebrados por cerca de 30 prefeituras na área de educação. Cabe ressaltar que este inquérito foi instaurado em 2015. A atual gestão segue o padrão rigoroso da legalidade nos certames licitatórios”.

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