Estudante da Fieb/ITB é aceita para estudar em escola internacional

0
2578
Compartilhe:

Aos 16 anos, Louise Ferreira Silva viajará para país africano após projeto desenvolvido na Fieb/ITB

Por Thiago Correia

Jovem
Louise Ferreira Silva, de 16 anos, estuda na Fieb/ITB do Jardim Belval/Foto: Arquivo pessoal

Uma aluna da Fieb/ITB foi selecionada para participar do programa Together for Development da United World College (UWC). Louise Ferreira Silva, de 16 anos, que mora no Recanto Maravilha III, em Santana de Parnaíba, e estuda na unidade do Jardim Belval da Fieb/ITB, viajará para a Suazilândia, um país africano, após ser reconhecida com o projeto Respeito Não Tem Preço. 

Em forma de livro, o projeto desenvolvido por Louise fez parte da Semana de Liberdade e Alteridade da Fieb/ITB, que abordou temas como racismo, bullying, direitos LGBT, e outros. “Foi extremamente gratificante poder dar voz às pessoas que passam diariamente por qualquer tipo de preconceito, inclusive eu. Ser julgado por ser você mesmo é algo que, infelizmente, ocorre com bastante frequência no dia a dia”, conta a jovem ao Barueri na Rede.

“Lembro que a cada relato que recebia, chorava ao ler, mas ao mesmo tempo ficava feliz por estar dando a oportunidade dessas pessoas contarem como se sentem no seu dia a dia”, afirma. O Together for Development abrange jovens de várias partes do mundo. Das 60 vagas disponibilizadas, 30 são destinadas para africanos. Além do livro, para conseguir entrar no programa da UWC, Louise teve de apresentar suas notas do ensino médio – médias acima de 8, segundo ela – e uma carta de apresentação. Ela estuda inglês sozinha.

Jovem de 16 anos
Jovem desembarca na Suazilândia entre 29 de dezembro e 13 de janeiro de 2018/Foto: Arquivo pessoal

Sobre o livro, ela revela: “Decidi abordar qualquer tema que envolvesse preconceito ou discriminação, tais como, racismo, LGBTfobia e machismo, dois dos quais sou vítima constante, pois no ano de 2016 já fui assediada por um aluno do próprio ITB, sem contar a constante ocorrência de ‘piadinhas’ machistas que ouço de ignorantes e, além disso, o racismo que sofro quando vou a shoppings do ‘alto escalão”. Louise conta que no caso em que sofreu assédio – um jovem passou a mão em suas nádegas na hora da saída da escola – chegou a falar com o diretor, mas que medidas só teriam tomadas “se tivesse prova nas câmeras”.

“Eu não insisti muito em ir para o lado da justiça, então criei um projeto antes do Respeito Não Tem Preço, chamado de Se Toca MLK, em que espalhamos cartazes em combate ao machismo pela escola, pois basicamente toda a escola soube, por eu não ter deixado barato na hora do ocorrido”, lembra. “Não queria mais que nenhuma pessoa passasse por isso, mas, infelizmente, isso seria utopia, então criei o projeto [Respeito Não Tem Preço] com o  intuito de diminuir o preconceito em minha escola, pois sou vítima dessa atrocidade todos os dias, e não desejo nada parecido à ninguém.”

Estudar fora do país é um sonho antigo da jovem. Ela conhecia a UWC havia mais de um ano e estudar lá era o seu objetivo: “Meu sonho começou a ser estudar nela, devido aos seus lemas serem muito parecidos com os meus: promover a paz, respeitar as diferenças e levar educação de qualidade a todos. Fiquei sabendo do programa pelo site da UWC internacional e então não hesitei em me candidatar”, afirma Louise. Ela estava a um passo de desistir, já que não havia sido aceita em outros cinco programas. “Quando recebi a notícia por e-mail, a carta de aceitação (que está em inglês), não conseguia acreditar no que eu estava lendo. Meu sonho estava a ponto de ser realizado”.

Louise está empolgada para realizar o curso de Desenvolvimento Internacional na Suazilândia. Ela acredita que ele abrirá inúmeras portas a ela, tanto no nível acadêmico quanto no profissional. “Ainda tenho o grande sonho de me graduar no exterior e quem sabe, trabalhar na ONU. Nunca irei deixar de sonhar alto, mas sempre terei que me esforçar. Não vejo a hora de conhecer jovens de mais de 15 países diferentes que estarão na Suazilândia, será uma experiência única e maravilhosa”, conclui.

Apesar da alegria em ser aceita pela UWC, a estudante não tem condições para arcar com o dinheiro da passagem, que custa por volta de R$ 7 mil. Ela pediu apoio financeiro à Fieb/ITB, mas foi informada que não era possível ajudá-la. Louise então iniciou uma “vaquinha” online (acesse aqui), para arrecadar o dinheiro da passagem. Além disso, ainda lamenta o provável cancelamento da Semana de Liberdade e Alteridade: “Infelizmente há uma grande possibilidade de a SLA ser cancelada ano que vem com a implantação de novos projetos de lei [escola sem partido]”. A arrecadação para a viagem de Louise à Suazilândia termina dia 10/12. Ela desembarca no país africano entre 29 de dezembro e 13 de janeiro de 2018.

Compartilhe: