Os desaparecidos de Barueri

0
5018
Compartilhe:

Em dez 10 anos o Brasil registrou oito desaparecimentos por hora. Em Barueri, há famílias que buscam por entes desde 2009

Por Thiago Correia

4fe52743-10ce-43f1-85d8-15d8bed3caf0

Há quase um ano, a família de Osmar Rodrigues Jardim, de 33 anos, procura pelo ajudante desaparecido desde 12/8. Noticiado pelo Barueri na Rede (relembre aqui), o caso de Osmar traz à tona uma estatística: o Brasil registrou nos últimos 10 anos, oito desaparecimentos por hora.

O estudo feito pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública no ano passado, mostrou que em 10 anos, 694 mil pessoas foram dadas como desaparecidas nos registros policiais. Em média, 190 por dia e oito por hora, de 2007 a 2016. No estado de São Paulo, esse número chega a 242.568 pessoas desaparecidas.

Considerando o período da pesquisa, Barueri registrou pelo menos cinco casos de desaparecimento ainda não solucionados que constam nos registros online da Polícia Civil. Mas esse número pode ser ainda maior, já que o cadastro online é opcional. O caso mais antigo data de 2009. De 2017 até março deste ano, o número de casos não solucionados que estão no site da Polícia Civil subiu para pelo menos oito, dos quais duas mulheres e seis homens. Osmar é um deles.

d-osmar-jardimOsmar Rodrigues Jardim saiu da casa onde mora com a mãe e um casal de irmãos, na Vila Pindorama, por volta das 18 horas do dia 12/8 do ano passado e nunca mais foi visto. Solteiro, sem filhos e descrito pela família como alguém tranquilo, Osmar saía apenas para ir a casa da namorada, em Osasco. Mesmo após procurar em hospitais e outros locais, a família continua sem notícias.

“É mais difícil para minha mãe. Angustiante, né? Não temos nem ideia de onde procurar. E o pior é nem saber o motivo por ele ter ido dessa maneira”, afirma Kelly, irmã de Osmar ao BnR. “Às vezes até pensamos que ele fez algo com a própria vida, pois não temos nem pistas. [Ele] era uma pessoa calada e de poucos amigos”, completa.

Outros Casos

d-ademirBnR noticiou em dezembro de 2016 o caso de Ademir dos Santos Queiroz (leia aqui), morador do Jardim Tupã, que desapareceu no dia 25/11 daquele ano e não foi encontrado até hoje. O caso dele não consta no registro online da Polícia Civil. Supervisor de um posto de combustíveis, ele telefonou para família dizendo que estava chegando em casa. Mas nunca chegou. Seu carro foi encontrado três dias depois no Centro de Eventos de Pirapora, sem rodas, placas e bateria, e parcialmente queimado.

Casada há 15 anos com Ademir, Elisângela conta que não tem “nenhuma notícia” sobre seu marido. “A investigação não fala nada. O caso está como se estivesse parado”, lamenta. “Meu apelo é que eles [Polícia Civil] solucionem o caso para eu dar uma resposta para minha família”, desabafa Elisângela que tem três filhos com Ademir: um de 12, uma de 6 e outro de 4 anos de idade.

“Tem dias que eles [filhos] acordam chorando, perguntando, porque ele era um pai muito presente, apegado aos filhos e até hoje eu não sei o que falar para eles. Eu falo ‘vamos orar, confiar em Deus”, conta. Com o desaparecimento de Ademir, Elisângela teve que começar a trabalhar: “Ele falava que o que ganhava era o suficiente para manter a casa e que eu não precisava trabalhar”, explica.

“Já colamos cartazes em Barueri, Carapicuíba, Osasco, São Paulo, Pirapora…”, afirma Elisângela, sobre a busca pelo marido, que teria 38 anos. “Mas o tempo vai passando, as pessoas se esfriando. Cada um seguindo sua vida e fica difícil só pra mim”, completa. “Você desanima com o descaso [das investigações]. É um pai de família que saiu pra trabalhar e até hoje não voltou”, conclui Elisângela, que mantém as esperanças de localizar seu marido.

Em nota ao Barueri na Rede sobre os casos de Ademir e Osmar, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) informou que ambos foram registrados “na Delegacia de Barueri e, para apuração dos fatos, foi instaurado o Procedimento de Investigação de Desaparecimento (PID), pelo Setor de Homicídios e Proteção à Pessoa (SHPP) da Seccional de Carapicuíba, onde são realizadas diligências para localizar o desaparecido”.

De janeiro a julho deste ano, o BnR publicou seis casos de pessoas desaparecidas. Cinco deles foram solucionados. Marcos de Sousa, de 33 anos, morador do Parque Imperial e desaparecido desde 7/3, ainda não foi encontrado pela família (relembre o caso dele).

Recentemente foi encontrada uma ossada humana (leia aqui) no Centro da cidade, que ainda está sob análises do Núcleo de Antropologia do IML. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, familiares que registraram boletim de desaparecimento em Barueri e que ainda não foram encontrados, serão chamados para confronto de material genético assim que os exames da ossada forem concluídos.

Orientações Gerais

Ao notar o desaparecimento de algum familiar, procure a pessoa no trabalho (se for o caso), casa de amigos e parentes, hospitais, IML, locais onde a pessoa costuma frequentar e nas redes sociais. Em caso de pessoas com doença mental, deve-se informar quantas vezes a pessoa já desapareceu e onde foi encontrada anteriormente.

Ao não encontrá-la, registre o boletim de ocorrência em um Distrito Policial ou Delegacia Eletrônica. Leve fotos atualizadas e informe o maior número de dados da pessoa desaparecida, como características físicas e psicológicas. Assim que localizada, informe às autoridades para que seja feita baixa no sistema policial.

Além disso, para auxiliar nas buscas e caso a família solicite, a 4ª Delegacia de Polícia de Pessoas Desaparecidas divulga na Internet a foto da pessoa desaparecida. Esse cadastro é o que aparece no site da Polícia Civil. Para efetuar o registro da foto da pessoa desaparecida na 4ª Delegacia, é necessário estar com o boletim de ocorrência em mãos.

Caso a família tenha optado por divulgar a foto na Internet, ao encontrar a pessoa desaparecida, deve comunicar a 4ª Delegacia de Polícia de Pessoas Desaparecidas – Divisão de Proteção à Pessoa, para que a foto seja retirada da galeria de pessoas desaparecidas. A comunicação poderá ser feita por um dos telefones: (11) 3311-3547, (11) 3311-3548 e (11) 3311-3983, por meio de formulário ou pessoalmente na Rua Brigadeiro Tobias, 527 – 3° andar, Bairro da Luz em São Paulo.

Nota da SSP

De acordo com dados da SSP, entre os meses de janeiro e março deste ano, foram registrados 6.106 boletins de ocorrência de desaparecimentos e 8.483 de encontro de pessoas. Sobre casos de desaparecidos no estado, a SSP emitiu a seguinte nota ao BnR:

“A SSP tem adotado diversas medidas para possibilitar maior eficiência nos casos de pessoas desaparecidas, entre elas a designação de que as ocorrências da Capital sejam investigadas pela 4ª Delegacia de Investigações sobre Pessoas Desaparecidas do DHPP, as da Grande SP pelos setores de Homicídios das Delegacias Seccionais de Polícia e, no Interior, as apurações são de competência das Delegacias de Investigações Gerais (DIG).

A partir do registro da ocorrência, é aberto um PID, com a inserção da fotografia da vítima no site da Polícia Civil, pesquisas no Banco de Dados da instituição e de outros órgãos ou estabelecimentos vinculados que possam auxiliar na localização da pessoa. As investigações são encerradas somente com o boletim de Encontro de Pessoa. Em caso de indício de crime, apura-se por meio de inquérito policial.”

Compartilhe: