Cadeirante morre após atendimento no Sameb e HMB

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Maria José, de 66 anos, foi ao PS tratar pressão alta e dispneia. Saiu com hemorragia vaginal e morreu quatro dias depois

A cadeirante Maria José Dantas de Miranda, de 66 anos, morreu após passar passar por procedimentos no Pronto-Socorro Central (Sameb) e no Hospital Municipal de Barueri (HMB), em julho deste ano. Sua filha, a fisioterapeuta Rosana Farias Miranda, tenta há quase dois meses pegar o prontuário da mãe no HMB.

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Após exames, braço de Dona Maria José ficou roxo de hematomas/Foto: Arquivo pessoal

No dia 10/7, Rosana levou a mãe, que estava com pressão alta em 18/10 e dispneia, ao Pronto-Socorro Central (Sameb). Foram solicitados exames laboratoriais e ela recebeu oxigênio, o que melhorou a dispneia. Novos exames foram pedidos.

“Questionei se os exames tinham dado alteração e ele [médico] falou que deu ‘alteraçãozinha’, mas que poderia ir pra casa, sem nenhum medicamento para infecção ou inflamação. Apenas receitou Captopril, caso a pressão subisse novamente”, conta Rosana ao Barueri na Rede. “Voltando pra casa, fui dar banho na minha mãe e ela estava com sangue. Após coletar urina pela sonda, fizeram um procedimento errado e, após a alta, voltou um sangramento vaginal”, lembra Rosana, que achou que o sangue era efeito da medicação que sua mãe tinha tomado.

Maria José teve hemorragia vaginal no dia 12/7. Rosana solicitou um médico na emergência para que atendesse sua mãe em casa, que já estava fraca devido à perda de sangue. A solicitação foi atendida no dia seguinte, com o envio de um médico e três enfermeiras, que viram fraldas cheias de sangue. O médico solicitou uma ambulância e encaminhou a paciente com urgência ao Sameb.

Rosana conta que no pronto-socorro a médica que a atendeu pediu para que colocassem 500 mg de sódio no soro, que estava baixo, e fizessem novos exames. “A doutora, muito atenciosa, examinou juntamente comigo e viu que realmente machucaram o canal da uretra da minha mãe”, afirma. “Mandaram para a ginecologista, que apenas colocou o dedo e falou que o sangue e a ferida iriam estancar sozinhos. Deram alta e a mandaram para casa. Não fizeram exames para verificar o foco da hemorragia”, lembra a filha, indignada.

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Dona Maria José deu entrada novamente no Sameb no dia 14/7 com insuficiência respiratória e foi transferida para o HMB/Foto: Arquivo pessoal

No dia 14/7, Maria José voltou ao Sameb com insuficiência respiratória e choque. “O médico entubou e falou que quando estivesse estável iria remover para o Hospital Municipal”, afirma Rosana. “Fizeram a remoção para o hospital e, chegando lá, a saturação caiu para 38%, sem oxigênio para ir ao cérebro, rins e coração. Reanimaram a minha mãe e não deixaram em momento algum eu ficar com ela. Só me mandaram retornar às 21 horas, que era horário de visita”, explica Rosana, alegando que a mãe ficou hipotensa, isto é, teve queda de pressão.

Atestado de óbito de dona Maria José/Foto: Arquivo pessoal
Atestado de óbito de dona Maria José/Foto: Arquivo pessoal

Maria José morreu no dia 15/7 às 4 horas no HMB. De acordo com o atestado de óbito, a causa foi doença  de Machado-Joseph avançada, uma enfermidade genética neurodegenerativa que afeta a fala, a coordenação motora e o equilíbrio. “Conversando com outras médicas neurologistas, me falaram que não foi isto que a matou”, desabafa Rosana. “Quero saber o que realmente matou minha mãe. Se foi decorrente da hemorragia”, completa.

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Rosana, filha de dona Maria José, alega negligência médica na morte de sua mãe/Foto: Arquivo pessoal

No dia 18/7, Rosana solicitou os prontuários de sua mãe no HMB. Um mês depois, fez nova solicitação com urgência. No dia 10/9, deram um prazo de 45 dias e perderam o pedido. “A moça do Sistema de Atendimento ao Usuário (SAU) ligou para o setor e eles falaram que perderam a solicitação, simplesmente assim”, conta Rosana, que fez uma denúncia na ouvidoria da Secretaria de Saúde e outra no Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp). “Foi uma irresponsabilidade total. Negligência médica geral. Nunca mais vou olhar o sorriso da minha mãezinha. Nunca mais terei aquele abraço de mãe”, lamenta Rosana, que lembra de Maria José llúcida e sempre sorrindo.

O Barueri na Rede procurou o Hospital Municipal de Barueri, por meio da Secom, e recebeu a seguinte nota:

O Hospital Municipal de Barueri Dr. Francisco Moran informa que a paciente M.J.D.M. chegou à unidade já em parada cardíaca respiratória e foi encaminhada para emergência, onde recebeu toda a assistência necessária e foi mantida sob vigilância intensiva. Porém, apesar do atendimento prestado e devido à gravidade do caso, a paciente apresentou outra parada cardíaca e veio a óbito.

O HMB recebeu a paciente apenas com solicitação de tomografia e não houve tempo hábil para realização do exame devido ao seu quadro, visto que a sua chegada foi em 14/7, às 20h50, e o seu óbito às 3h do dia 15/7. Durante todo o período, a paciente esteve assistida com suporte da equipe médica.

Com relação ao pedido de prontuário, esclarecemos que, após pesquisas e cruzamento de dados, a liberação do documento foi realizada e a cópia estará disponível para retirada na próxima semana.

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