Aluna da Fieb/ITB conquista ouro em Pan-americano de Karatê

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Débora Silva Trindade, de 17 anos, ganhou o ouro na modalidade kumite (combate) por equipe em torneio no Peru

Por Thiago Correia

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Jovem fez vaquinha online para disputar o torneio no Peru nos dias 8 e 9/9. Foto: Arquivo pessoal

Uma estudante do ITB Brasílio Flores de Azevedo, do Jardim Belval, venceu o Campeonato Pan-americano de Karatê JKA, disputado no Peru no início do mês. Débora Silva Trindade, de 17 anos, ganhou o ouro na modalidade kumite (combate) por equipes e ficou em 5º lugar no individual na categoria kata. 

Débora, que mora com os pais e duas irmãs gêmeas no Recanto Phrynea, contou ao Barueri na Rede como foi disputar o Pan-americano. “A oportunidade veio com muitos anos de trabalho, treinos e competições, sempre entre as três primeiras colocações. Finalmente, neste ano fui convocada para o campeonato brasileiro e fui medalha de prata em kumite, e isto possibilitou minha convocação para disputar o Pan-americano pela seleção brasileira”, explica a jovem, que pratica karatê desde os oito anos de idade, quando recebeu convite de seu sensei para uma aula experimental.  

“Eu fiquei extasiada. Imagina! O sonho de todos esses anos de dedicação”, comemora. Mas a família de Débora não tinha condições de bancar a viagem ao Pan-americano. Até que surgiu uma luz no fim do túnel: fazer uma “vaquinha” online: “A ideia foi do meu pai. O custo era alto para nossa realidade, ainda mais que havíamos sofrido um acidente de carro em maio, justo na convocação”, lembra. “Isso trouxe transtornos, de modo que, financeiramente, era inviável minha participação. Não tem incentivo e apoio governamental, patrocínio é difícil. Então meu pai teve a ideia”, completa. A meta era arrecadar R$ 4,7 mil, e Débora conseguiu 66% do valor entre doações online e diretas. 

O Campeonato Pan-americano de Karatê JKA ocorreu nos dias 8 e 9/9, mas Débora ficou no Peru entre os dias 5 e 10, entre concentração, reuniões e treinos da seleção. “Foi a primeira vez que viajei para fora do Brasil. É uma experiência ímpar, além de uma grande responsabilidade representar meu país e ainda, as pessoas que acreditaram em mim e na minha academia, a Hasha Dojo”, afirma. “O frio no estômago é constante”, brinca.

Débora disputou duas categorias no torneio: kata (performance), que é individual e kumite (combate), em equipe. “No individual, obtive o 5º lugar. Se considerarmos que na minha faixa etária de 17-18 anos eram 28 concorrentes na mesma modalidade e minha primeira participação, foi um resultado excelente. Até porque os primeiros colocados tinham mais experiência do que eu”, avalia. “Na equipe são três meninas contra três da equipe adversária em lutas individuais. Cada combate vencido conta para toda equipe”, explica a atleta. 

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Jovem agora sonha com voos ainda mais altos, como disputar Sul-Americano, Mundial e até Olimpíadas/Foto: Arquivo pessoal

Sobre seus resultados no campeonato, Débora é categórica: “Não é só a sensação de vencer os adversários no tatame, mas também um monte de coisa interior. Além de estar ali, entre tanta gente que era campeã panamericana, mundial… pessoas que são o ‘top’ do karatê no Brasil, como o sensei Yoshizo Machida e outros conceituados senseis”. A jovem tem 18 medalhas no currículo, sendo 11 de ouro, quatro de prata e três de bronze. “Todas são especiais, mas a última é sempre mais especial em função do que foi superado. Essa do Panamericano tem esse toque especial. Tipo ela ‘unifica’ todas as conquistas até aqui.” 

Já sobre como foi contar a novidade aos pais, irmãs e amigos, Débora brinca: “Pensa numa gente feliz”. Ela diz que todos ficaram orgulhosos. “Acaba sendo uma conquista nossa. Meus pais sempre se esforçaram para me enviar aos campeonatos todos esses anos. Agora já me falaram ‘vamos nos preparar para o grande’, comenta. “Não falta a alegria e reconhecimento de todos os lados. Os amigos de escola, os professores e as ‘tias’ (inspetoras) que se mobilizaram lindamente”, conta a estudante do 3° ano do curso técnico de Informática do ITB.

Uma dessas pessoas é a professora Roseli Machado, que dá aulas de História para Débora há dois anos. “Ela me mandou uma mensagem pelo zap, no dia 8/9 à noite. Perguntou se eu estava sentada. Quando li, fiquei preocupada. Perguntei como estava o campeonato e daí ela postou a foto da medalha. Nossa, fiquei tão feliz! Débora é maravilhosa, mesmo com dificuldades, conseguiu”, lembra. “Débora é uma boa aluna. Inteligente, crítica, tímida. Tem notas boas. Consegue conciliar estudo e treino”, conclui a professora.

Para o futuro, Débora se mostra confiante: “Pretendo continuar me aperfeiçoando tanto técnica quanto interiormente. Adquirir mais conhecimento da arte do karatê e me preparar para conquistas futuras, tanto pan-americanos e sul-americanos, mas principalmente o mundial e quem sabe um dia estar nas Olimpíadas”. E conclui: “Além do que, espero que o karatê possa ter outro tipo de reconhecimento e valorização nas esferas do esporte brasileiro, pública e privada, visto que há tantos atletas e a carência de apoio”.

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