Chacina de Osasco: PM de Barueri, Victor Cristilder, ainda será julgado

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Advogado do policial militar prevê que muita coisa ainda será discutida e divulgada sobre o caso

Por Caroline Rossetti

O policial militar Victor Cristilder continua preso por ser suspeito de estar envolvido na chacina de Osasco e Barueri em 2015. Por recorrer da decisão da Justiça que mandou os réus para júri popular, seu julgamento foi adiado e ainda não tem data definida.

Victor Cristilder está preso, aguardando julgamento/Fotos: Divulgação
Victor Cristilder está preso, aguardando julgamento/Fotos: Divulgação

Em entrevista ao Barueri na Rede, o advogado de Cristilder, João Carlos Campanini, alega que entrou com o recurso de adiamento para que seu cliente fosse absolvido no Tribunal.

Victor Cristilder Silva dos Santos, 32 anos, trabalhava na Força Tática da PM em Barueri. Ele responde na Chacina de Osasco por homicídio doloso qualificado (meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima) de 12 pessoas, tentativa de homicídio de 4 pessoas e formação de quadrilha, junto com os outros três agentes que já foram julgados e condenados.

O julgamento dos réus ocorreu no fórum de Osasco de 18 à 22/9 deste ano, e condenou o GCM de Barueri Sérgio Manhanhã a mais de 100 anos de prisão, para quem  Cristilder teria enviado um sinal de ‘joinha’ por meio de aplicativo de mensagem na noite da chacina.

Com relação ao julgamento dos outros réus, Campanini afirmou ao BnR que acompanhou o processo e presenciou a Promotoria “partir para ataques pessoais a todas as pessoas e órgãos que, de alguma forma, tiveram participação no caso, por não ter provas da participação dos acusados”.

Na quarta-feira, 1º/11, mais de um mês após a audiência em Osasco, o caso ganhou uma reviravolta, pois a principal testemunha da chacina confessou em carta enviada à Corregedoria da PM que foi pressionada a mentir em seu depoimento (leia reportagem completa).

Advogado do PM acredita em
Advogado do PM acredita que novas irregularidades das investigações ainda serão descobertas

Com o novo cenário, o advogado de Cristilder afirmou que “isso mostrará aos jurados o absurdo que foi a investigação”. Ainda para ele, as autoridades que investigam o caso e o promotor de Justiça perderam a credibilidade, e completa que “se algo grave dessa natureza ocorreu, certamente outros abusos ainda serão descobertos”.

Os antecedentes em Carapicuíba

Em dezembro do ano passado, Victor Cristilder, que recusou delação premiada em troca de pena em agosto de 2016, foi absolvido pela morte de um homem em Carapicuíba em 8 de agosto de 2015. O crime pelo qual foi acusado pelo Ministério Público se deu um dia após a morte de um PM de Osasco – segundo investigação da polícia, esse seria o estopim da Chacina de Osasco, que aconteceu em agosto.

A juíza da 1ª Vara de Carapicuíba na época, Danielle Câmara Grandinetti, considerou o PM inocente da chamada pré-chacina pois a acusação se baseava em uma testemunha com depoimento contraditório, vago e inverossímil.

No processo de Carapicuíba, Victor Cristilder foi acusado de participar como chefe de uma quadrilha que fazia segurança para o supermercado Chama e o açougue Texas.

Na ocasião, a testemunha do caso indicou três carros diferentes utilizados no crime e ainda uma suposta rua onde o PM nunca morou que, na verdade, era a casa de outro policial que fazia a segurança de um mercado.

A juíza de Carapicuíba também levou em conta para inocentar Cristilder que ele realizou sua própria autodefesa, uma vez que sabia apontar cada falha do processo. Além disso, ficou provada a inexistência da suposta milícia, também sustentada pela Promotoria de Osasco.

Na ocasião, o advogado de defesa João Carlos Campanini acreditava que o cliente seria absolvido também no fórum de Osasco.

O que diz a defesa

De acordo com o advogado Campanini, em conversa com o BnR, a acusação não apresentou provas da participação de Cristilder nas mortes da Chacina de Osasco. E o advogado também leva em conta a absolvição do cliente na pré-chacina de Carapicuíba, em que afirma que “ele é inocente e foi confundido com outra pessoa”.

Campanini segue com a absolvição de Carapicuíba como base da defesa e com a expectativa de “que muita coisa ainda será divulgada e discutida” no processo de Osasco. “Tenho esperanças de que os novos jurados façam justiça e ponham o inocente em liberdade”, completou o advogado ao BnR.

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