Bruno Gadiol, “A Voz” que tem encantado o Brasil

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Aos 18 anos, o jovem, morador de Barueri, ganha destaque no cenário musical ao se classificar nas etapas do programa The Voice, da Globo

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Bruno Gadiol, de Barueri, ganha espaço no The Voice Brasil. Ele tem sido considerado o galã do programa, mas espera reconhecimento pela sua voz/Fotos: BnR

Uma das revelações do The Voice Brasil, da TV Globo, Bruno Gadiol está se destacando no cenário musical nacional e avança no reality. Escolhido nas audições às cegas por três dos quatros jurados, ele viu seu caminho mudar diante da oportunidade de ter como técnicos no The Voice Brasil os cantores Carlinhos Brown, Michel Teló e Lulu Santos. Os três viraram a cadeira para a voz de Bruno no primeiro dia, quando os candidatos cantam para os selecionadores, que estão de costas para o palco. O músico Michel Teló foi o escolhido pelo jovem cantor.

Na última quarta-feira, 9/11, dia em que deu uma entrevista exclusiva o Barueri na Rede, Bruno venceu o duelo e manteve, diante de elogios do júri, a vaga no programa. Com apenas 18 anos, o jovem talento mostra uma atitude contida, discreta e tímida. Nascido no bairro do Paraíso, em São Paulo, morou na zona leste da capital até o começo da adolescência, quando se mudou para Barueri com a família, aos 11 anos. Vieram em busca de qualidade de vida, um lugar mais tranquilo, arborizado, com lazer. 

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Entre as paixões de Bruno, os cães de estimação do jovem cantor/Foto: Arquivo pessoal

Além de encontrar tudo isso, a família viu a nova casa e os novos ares acenderem no filho, caçula de dois irmãos, o talento para a música, já que prazer por cantar sempre foi coisa natural no menino. Segundo ele, “desde os tempos que acompanhava o programa High School Musical“, lançado em 2006. Quando criança, era ‘viciado’ no canal Disney e, sozinho, na sala de casa, sempre que assistia aos programas musicais do canal, se imaginava cantando para uma plateia. “Com sete, oito anos, eu cantava em frente à TV, por vontade minha. Mas a minha consciência musical apareceu aqui, em Barueri.” 

A música se tornou uma realidade depois que Bruno mudou para Barueri/Foto: Arquivo pessoal

Quando fala de consciência musical, ele se refere ao fato de ter sido na nova casa, num condomínio próximo ao Jardim Júlio, que a música começou a tomar forma na sua vida. Na época, conheceu um grupo de jovens que tocava violão, “na rua mesmo”. “A gente se reunia pra tocar e cantar no condomínio”.

Foi então que o talento de Bruno começou a ser percebido. “Eles começaram a dizer que eu cantava bem, mas tinha um timbre muito sertanejo para as músicas que a turma tocava”, lembra. Essa influência veio das viagens com a família, onde ouviam muito sertanejo. Quando montaram a banda, pediram que ele mudasse um pouco a forma de cantar. “Nada imposto, foi tudo na boa…(risos)”, lembra.

Quando a música começou

A primeira banda, chamada Listras da Lombada, era formada pelos amigos Gabi (a melhor amiga), os irmãos Lucas e Luquinha e Tutu. Começaram a tocar em festinhas e tinham no repertório pop e música brasileira. No mesmo período, Bruno começou a frequentar o colégio Samarah, em Cotia. “Era comum, no fim do ano, ter uma apresentação de teatro dos alunos. Foi quando o diretor ficou sabendo que eu cantava e pediu pra que eu fizesse uma demonstração pra ele”. Feita a apresentação, o diretor se encantou pela voz de Bruno. “Lembro que ele ficou emocionado, ele chorou.” Nessa época, ainda com 12 anos, ele se viu sendo levado pelo diretor para cantar em todas as salas de aula do colégio. “Morri de vergonha”, conta, tímido.

No grupo Kidx, o sonho de criança se torna realidade/Foto: Arquivo pessoal

Uma coisa que chama a atenção de Bruno enquanto lembra esse episódio é a semelhança com seu primeiro sonho de menino, o de cantar na escola, ao melhor estilo High School Musical. Também nesse período, Bruno fez parte de uma segunda banda, a Marco Zero, com os irmãos Lucas e Luquinha. “A gente começou a fazer vídeos e publicar no Youtube. E isso deu muito certo! Começamos a ter bastante acessos”, lembra. Porém uma nova oportunidade obrigou Bruno a parar com a nova banda.

Em 2013 ele foi um dos selecionados no concurso da apresentadora Xuxa Meneguel, na época contratada da Globo, e então Bruno, aos 15 anos, ficou com uma das duas vagas para meninos e compôs o grupo Kidx, da TV Xuxa, que teve CD gravado pela Sony Music. 

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Formação do grupo Kidx, no TV Xuxa/Foto: Arquivo pessoal

Após o encerramento do grupo, ele se dedicou ao mundo da internet e retomou o canal de vídeos no Youtube. “Comecei a postar vários vídeos. As pessoas perguntavam quando teria outros, mas eu gosto de fazer isso quando estou inspirado. Não tinha muita frequência.” Com isso, apesar dos seguidores, o número de acessos era inconstante, mas nada que o incomodasse. Muito tranquilo e consciente dos caminhos que trilha, Bruno lembra da satisfação de ter um de seus vídeos elogiado pela cantora norte-americana Demi Lovato, que assistiu sua apresentação num programa da MTV.

No ano de 2015, Bruno Gadiol começou a se apresentar no JAM, um restaurante japonês que reúne comida japonesa, arte e música. Com duas apresentações semanais, às quartas e quintas-feiras nos Jardins e no Itaim. “Eles me encontraram no Youtube!”, conta. Bruno tem dividido sua rotina, que inclui se apresentar no JAM, com as gravações do The Voice Brasil.

Além da música

Os palcos não são apenas para a voz de Bruno Gadiol. O teatro também fez parte da história do rapaz. “Quando estava no primeiro ano do colégio, entrei no Macunaíma (escola de teatro) no Alphaville. Lá fiz um ano e meio de curso”. Quando começou a estudar Publicidade da Faculdade Cásper Líbero, acabou indo fazer a Escola de Teatro Macunaíma na Barra Funda, já que estudava em São Paulo. Logo depois se matriculou na Teen Broadway para continuar estudando teatro. “Aprendi muito! Eu achava que por eu cantar, fazer teatro musical era fácil. Estava completamente enganado. É muito diferente”, conta.

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Bruno também é ator e se apresentou no Teatro Gazeta, em SP/Foto: Arquivo pessoal

Bruno confessa que até então achava bobagem fazer aula de canto, mas mudou de ideia. “Hoje eu percebo que não, que eu preciso na verdade. Se eu não fizer da forma correta, posso esgotar minha voz em poucos anos de carreira. Isso, eu aprendi lá, na Teen.”

As aulas trouxeram bons resultados. Bruno participou da peça Meninos e Meninas, que estreou no Rio de Janeiro em 2014 e que na passagem por São Paulo, onde ficou em cartaz no Teatro Gazeta por seis meses, foi apresentado por um elenco paulista. Bruno estava entre os jovens talentos. Ele lembra da dificuldade das audições. “Eu nunca tinha feito isso, tive que me virar”, conta. Chamado um dia antes da estreia da peça, ele foi convidado pelo diretor para um último teste.

A trilha sonora do cotidiano

Ao lado do pai, Bruno lembra da influência musical nas viagens com a família/Foto: BnR
Ao lado do pai, Bruno lembra da influência musical nas viagens com a família/Foto: BnR

Fora dos palcos, Bruno destaca sua preferência por música pop. Revela que aprecia uma boa voz. “Gosto de ouvir, e aprender, com cantores que têm potência e talento vocal”, conta. Mas cada hora tem seu tom. Segundo ele, por influência do pai, na volta para casa, seja depois de uma apresentação, de uma viagem ou um simples passeio, o que embala a noite são músicas clássicas, como as tocadas pela tradicional emissora Alpha FM. “Culpa do meu pai”, brinca. Orgulhoso, Paulo Antoniassi, pai de Bruno, reconhece a influência. “Culpa minha mesmo!”, rebate, sorrindo para o filho.

“Quem nunca se identificou com Sozinho, gravada pelo Caetano?”, brinca Bruno/Foto: BnR

Sobre a MPB, o jovem cantor diz que gosta, e muito, da música brasileira, e avalia que o mais encantador são as letras. “Quando você para e presta atenção, percebe que as letras são incríveis”, comenta. Entre as favoritas, está Sozinho,  de Peninha e gravada por Caetano Veloso. “Quem nunca se identificou com essa música?”, pergunta num sorriso. Maria Gadú, Ana Carolina, Jorge Vercílio e Djavan estão entre os músicos brasileiros que compõem seu gosto musical. “Eles cantam muito”, avalia.

Expectativas

Promessa do cenário musical nacional, Bruno conta que o apoio da cidade onde mora é imprescindível para ele. “Quero que as pessoas de Barueri se orgulhem de mim, é muito importante o reconhecimento da minha cidade, é aqui que eu vivo, foi aqui que tudo começou”, afirma.

Apesar de jovem, Bruno é bem pé no chão e centrado sobre a carreira e o sucesso. “Eu mudei minha linha de pensamento. Antes eu pensava que tinha que fazer sucesso, me cobrava demais. Hoje eu penso apenas que tenho que fazer o que gosto, deixar fluir”, revela. Ele acredita que com isso tem conseguido dar um passo de cada vez, com tranquilidade e serenidade.

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Bruno se classificou na primeira batalha do The Voice Brasil e se manteve no programa

A experiência no The Voice Brasil tem sido muito boa. Ele fala dos primeiros momentos no programa com carinho e serenidade. Sobre o aumento do assédio, fica em silêncio por alguns segundos, para logo revelar como recebeu os primeiros resultados após a aparição nacional. “Agora eu estou bem mais tranquilo. Mas acho que reagi um pouco diferente do que acredito que a maioria reagiria. Foi muita gente, falando muita coisa. Eu não conseguia ler, acompanhar”, revela.

Atordoado, Bruno diz que voltou do Rio de Janeiro, onde gravou o programa, preocupado com coisas simples do cotidiano. “Eu me perguntava: vou conseguir andar de trem, de metrô? Como vai ser?” Ele conta ainda que ficou bastante assustado. “Foi um choque! Fui dormir e quando acordei tinha ganhado mais de 50 mil seguidores no Instagram”, lembra.

Agora, mais ambientado com as novidades, reconhece que isso é muito bom profissionalmente e que a vida pessoal, apesar de no começo não conseguir sequer falar com os amigos pelo whatsapp, está tranquilo, com a rotina em ordem.

Sobre a música, o teatro e o teatro musical, Bruno revela que se sente mais seguro cantando. “Isso eu faço naturalmente. Mas atuar…. Parece ser muito fácil. Quando você vê uma peça, um personagem, não imagina como é difícil. Por menor que seja o personagem, o trabalho é muito grande”, conclui.

Para o futuro, ele tem planos como qualquer outro jovem: ser feliz fazendo o que gosta e conseguir viver do que faz. “Espero ter o respeito das pessoas, poder passar coisas boas com a música, assim como é comigo, uma boa música muda o dia”, se emociona. “Quero ser reconhecido pela minha voz, por cantar bem”, resume.

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